segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

é só isso, rir de desespero.

me resta ter pena.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

eu tenho tanto medo sabe? de ser ferida. de sofrer outra vez por alguém. então me afasto. então te afasto de mim. e queria que você pudesse entender, que é a maneira que encontrei de te amar. lembra da história do quarto frio? o medo é meu quarto. lembra do gigante e da falta de abraço? é tudo meu. então, quando eu gritar, for fria, quando eu te ferir, me abrace.
me machuco antes, porque acho que não consigo suportar. e na real, eu consigo sempre. só não quero. aceito as diferenças entre a gente e também peço "tenha paciência".


não quero fazer mal para as pessoas que me amam, não mais.

perdão.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

você sabe...

e tem todas as minhas fotos que tu olha e todas as coisas que eu escrevo e as mensagens que tu espera e aquele meu cheiro e os significados que acabei dando para todas as nossas coisas e as músicas que são só nossas e tu escuta e quando tu me escreve e pensa em mim e marca encontros que nunca acontecem e talvez não acontecerão e quando eu ligo e tu não atende e as vezes, bem as vezes, tu quer ligar também e lembrar de mim naquele fim de ano e lembrar do gosto do meu cigarro e reencontrar meus amigos que te dizem o quanto falei de ti e como somos parecidas e a tatuagem que eu fiz... eu mudei!
e eu ainda lembro e ainda penso e ainda sinto e acho que deveríamos pregar nossas fotos em todos os lugares e têm todas essas coisas que, do nada, me dão uma enorme saudade de nós.



então existia um sonho e nele eu segurava teus braços, enquanto te olhava firme, no meio de uma multidão que caminhava com mochilas, ficharios, bolsas, objetos, comidas. elas caminhavam e olhavam disfarçadamente a maneira que eu segurava teus braços, firme.
e tu olhava para os lados, e não pedia socorro, não queria correr, não queria te soltar, tu desejava estar exatamente alí. mas me olhava sem saber o que aconteceria, o que deveria esperar de mim.
meu coração nas minhas mãos, pulsando nos teus braços, através dos meus dedos e tu sentindo.
e o silêncio vindo de ti. nos teus olhos negros e assustados.
quando eu dizia "tu é o amor da minha vida e não há nada ou ninguém que me tira isso! e se tô aqui, é por ti. se corri o mundo, se abandonei tudo, foi pra te fazer feliz. se tu quer continuar apagando isso, tudo bem, segue em frente, tente outra coisa, uma hora a gente vê. mas se tu desistir de tudo, se jogar para o alto, se por um minuto perceber que eu ainda tô aqui, não deixa doer, não teme os olhares, eu te seguro firme. tu é quem eu escolhi. e eu abandono qualquer coisa pra te ter comigo"
a janela bateu, olhei para a luz e tudo estava embaçado. existia um sonho que pode se repetir. voltei a dormir.

domingo, 6 de dezembro de 2009


eu não choro mais. me dei conta disso hoje. e não foi por querer. só lembrei. e deu uma vontade louca de chorar. mas não chorei. perdi a identidade. e acho que me encontrei.

sábado, 5 de dezembro de 2009

O que fazer?


Cried all night
Till there was nothin more
What use am i as
A heap on the floor
Heaving devotion
Bbut it's just no good
Taking it hard
Just like you knew i would

Oh
Old habits die hard
When you got
When you got
A sentimental heart
Piece of the puzzle
And you're my missing part
Oh, what can you do
With a sentimental heart

Cried all night
Till there was nothing more
What use am i as
A heap on the floor
Heaving devotion
But it's just no good
Taken at heart
Just like you knew i would

Oh, habits die hard
When you got

When you got

A sentimental heart

Piece of the puzzle

And you're a missing part

Oh, what can you do

With a sentimental heart.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

eu entendo toda a tua fúria, o ódio contido aí dentro depois do fim. entendo teu choro, tua revolta, as palavras ásperas, os socos e empurrões. compreendo teu cansaço, tua fadiga, teu desânimo e ainda, a vontade de continuar. eu entendo teu amor. agora te peço, me entende também? preciso passar por tudo isso.

eu vi o teu esforço pra ser fria. achei bem engraçado, confesso. não te caiu muito bem aquele papel de indiferente. aquele teu sorriso, que era pra ser sarcastico, ficou mais como um sorriso ensaiado pra fotos. e teu olhar... ah, o teu olhar foi o melhor, senti vontade de rir, quando você o fixou em mim e disse "vou-embora!"
realmente guria, você não tem o dom... e to dizendo isso por aqui, porque faz tempo que não te vejo, alias, esse foi o ultimo dia. para de se fazer e atende o celular ou passa no meu emprego. tenta responder alguma das minhas mensagens. tive vontade de rir, mas foi o desespero.
ei guria, tu não fica bem nesse papel. volta.

sim, eu penso que tenho de ser mais doce e atenciosa, e jamais me esquecer de confiar. mas é que teus olhos dizem outra coisa e eu me apego nessas outras coisas, porque parece que só eu vejo ou entendo. então, eu travo no meio do caminho e fico completamente sem atenção. você pára e briga comigo, o que me deixa furiosa e lá se vai o lado doce. em resumo, tudo isso porque não confio.

não entendo não, como é que se muda assim. e cá pra nós, você já é bem esquisita sem tudo isso.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

eu não sorri mesmo, é porque tua fisionomia mudou comigo. sabe?
quando você é muito acostumado com as mesmas atitudes de alguém e de repente, a pessoa muda. fica fria, egoísta ou o inverso, dependendo de como era antes. e foi isso que aconteceu. você não sorri muito mais, também. não me conta as coisas como antes. a gente se perdeu não foi? ou me acostumei do jeito errado e só agora estou vendo o que você sempre mostrou? mudamos as aparências e do lado de dentro, parece tudo igual. parece.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

um par...

eu não tô direta mesmo. é porque tô criando uns planos aqui dentro da minha cabeça, enquanto escuto a máquina batendo algumas roupas, inclusive um par de meias teu, que ficou por aqui, no chão, depois da nossa noite. tu cheirava a pinga barata e estava toda suja, dormiu ocupando todo o espaço da minha cama e acordou parecendo que me amava. e eu, bem, eu tô sendo subjetiva ou tô tentando me enganar. sei lá, só quero sair do foco um pouco. descobri que sinto saudade de andar na areia... sabe a quanto tempo não faço isso? não! não tô dando voltas pra não dizer a verdade, só queria contar pra alguém que nunca mais andei na areia e era tão bom, tu já fez isso? como assim eu continuo enrolando? não me prôpus a contar nada hoje, já deixei avisado que não tô com vontade de ser direta.
tu cortou bem errado aquela camisa do teu pai, toda torta, mas sabe que ficou engraçado?! é sério, ficou mesmo! não ia dizer isto pra te agradar, acredite, é sério. eu bem que gostei. teu cheiro ficou nela, sabia?! junto com o cheiro de onde estivestes e quem sabe também o cheiro de outro alguém. acusando? claro que não, jamais te acusaria, é essa coisa de estar sempre desconfiado pra não ser enganado por ninguém. só isso. é, eu sei... acabei dando voltas demais pra dizer. percebi. mas então, posso deixar pra outra hora? semana que vêm, quem sabe?! é que ando tão ocupada, tão irritada e não sei se queria falar disto. tá bom, eu sei. é, minha desconfiança só fez ver que eu me enganei. mas viu, passa em casa amanhã, ou semana que vêm, passa pra buscar tua meia que eu lavei e pra saber que...










...de meias.

vou-me embora e tu já sabias disto.

e não me segurou!!!

não é só a dor que machuca. é a falta de sentir algo doendo.

me salva disso?



eu sei que você não me ama.




mas me salva disso?




por favor...









me sinto acabando.






caindo.




descendo.




escorrendo.




morrendo.




triste.











não quero acreditar.

acho que cansei de tentar.

não queria ter sexto sentido.

mas eu sempre soube.

me enganei.

outra vez.

não era pra ser.

estou bem...




me basta.

-só tenho medo sabe?
-mas medo de quê?
-de roubarem isso também... sei lá, só medo.
-e isso te impede de fazer algo?
-sim.
-algo muito bom?
-não sei, talvez...
-como o quê?
-ser feliz de novo!
-eu também teria medo...
-é, eu sei.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

meu bem, beija meus olhos mais uma vez? só hoje.

-eu te aturo!
-aturar... que palavra bonita, rima com amar.
-é, deveriam ser sinônimos.







-e não são?

vou deitar e cobrir os olhos com o cobertor, amanhã cedo quando o sol aparecer na janela, quero estar em um mundo distante. cinza. onde raio nenhum me afeta a visão. onde claridade alguma me desperta. me deixa dormir. prometo te ver nos meus sonhos.

hoje vi um rosto que parecia o teu, ou não parecia e ainda preservo a mania de te procurar em todos os rostos.

Quando moça, sua mãe enroscou em um laço.
no enlaçar do enrosco,
nasceu a menina sem braços.






me dá a mão? vamos brincar...

troquei de blusas 7 vezes. na minha cabeça, nada estava bom. acho que eu pedia esse vermelho mesmo, que tô agora. pra lembrar de viver, algo como me cobrir de sangue.

estou esperando sim, não fiz outra coisa a não ser esperar, depois que você foi. meu telefone ainda é o mesmo e minha casa também. eu, que talvez não seja a mesma, menos intensa e desesperada. um pouco mais de amor próprio. é que na tua ausência, não tinha mais o que amar e me tranquei tanto dentro de mim, acabei amando tudo que sou.

senti tua falta ontem, antes de dormir, pensei em mandar uma mensagem e logo depois pensei em como me culparia pela falta de resposta. você não se importa mais comigo. alias, já se importou? manda uma mensagem dizendo? pode ser só um "não" com ponto final depois. é que eu ainda penso muito em ti, ainda ouço tua voz, me dizendo que nós duas somos loucas e que jamais ficaremos juntas. mas eu reluto, não admito isso não. então penso, porque é só o que me resta de ti, uma memória guardada e uma falta que me consome.

é, tô sabendo já! me estamparam aos olhos essa minha imaturidade, essa superioridade com que trato as coisas. me deixaram bem claro tudo isso. to por dentro de todas as minhas dificuldades. mas viu, dá um auxilio? diz pra mim como é que se muda tudo isso... como é que se começa de novo?

ela disse "você não é assim! pode ter sido apenas hoje".
tenho medo de amanhã.
medo de ser uma coisa por dia e nunca descobrir o que
verdadeiramente,
sou.

abandono, esquecimento, qualquer coisa do tipo. é sempre o primeiro pensamento que me vem a cabeça. porque eu gosto de pensar que sinto dor. gosto da idéia de sofrimento. devo ser masoquista. sei que sou. sei também o que me restou. engolir as torturas temporárias do meu masoquismo, lendo uma poesia de quem jamais me esqueceu, em um pedaço de papelão.

arrebentei mesmo a porta, com gosto de ferro na língua, eu deveria ter me mantido centrado, mas o meu centro, era sempre mais pra esquerda ou pra direita dos outros. e ele só olhava, de fora, com um sorriso sarcástico, enquanto eu gemia, com minha mão esfolada e palpitando de dor. foi quando ela surgiu, dizendo que eu deveria escolher um caminho. eu? escolhas? tinha acabado de arrebentar uma porta, porque não sabia escolher um lugar pra ficar, um sentimento, uma roupa, sem que ele dissesse "assim está bom". fui vivendo mesmo, fazendo tudo que ele achava bom e que talvez fizesse tanto mal pra mim, me diminuia. fui vivendo a vida dele, as coisas boas que ele sentia. e agora ela me vem com escolhas? o meu centro é baseado no centro dos outros, quem sou eu pra escolher qualquer mísera coisa?

tentei inventar saídas ou seriam entradas pra outros meios? só sei que eram mais seguros que esses, menos tortuosos talvez, tentei. e me entreguei a loucura das tentativas infundadas.

Rimbaud disse uma vez "ninguém é sério aos dezessete anos"


e nem aos 20, 21, 22, 23...


ninguém é nada.

faço tudo errado mesmo, e ela já sabia. não entendi porque a surpresa. o que ela esperava de uma escritora? mal consigo organizar as palavras, quanto mais a vida. quanto mais um amor.

acabei de perceber que tenho um jardim no meu quarto, com flores sem raízes, roubadas de todos os lugares.



bom dia!

cinema/teatro. onde foi mesmo?

pensei ter escutado que ainda tinham seis cadeiras.
e isso, pra mim, foi um "seis lugares vagos".
e não tinha nada, além de pessoas, escuridão, ansiedade e lugares ocupados.
forcei a visão, não vi dois lugares juntos, apenas uma cadeira.
vaga.
pensei então que você poderia sentar no meu colo e talvez assim, eu poderia repousar a cabeça nas tuas costas e te afagar as mãos.
eu não via nada.
fui ouvindo então trechos, pequenos trechos de tudo aquilo que eu gostava.
algo como "te desejo uma fé enorme..."
e te apertei as mãos, te abracei do jeito que poderia abraçar.
sussurei no teu ouvido, sem ver que sussurrava.
e te pedi, sem que você percebesse "me deseja também uma coisa bem bonita?"
te pedi amor.
a chuva foi ficando forte e por alguns instantes, tua boca tocou a minha, no total breu.
você estava sentada no meu colo, porque não existiam mais seis cadeiras e porque te desejei alí, no mesmo lugar que eu.

No I couldn't help
But fall in love again

tpm?

foi só o que eu tentei, sabe?! isso de ter pessoas, de dividir as contas, de ver filmes, rir ou chorar, fumar cigarros, passar o fim de semana juntos, juro que eu tentei.
mas não tive sucesso não. to mergulhada em um egoísmo tão profundo, que preciso estar sempre sozinha.
não me forço, eu acho.
mas janto com um prato só, na mesa, vejo filmes até dormir de tédio, pago sempre o valor total, dou risada e choro quando ninguém vê, destruo os cigarros, um após outro e no fim de semana, me tranco aqui pra escrever.
eu tentei, juro!
mas deu errado.
talvez eu não tenha nascido pra isso. talvez eu me julgue tão auto suficiente ou tão perfeita que ninguém é capaz de me alcançar.
é isso, o ponto talvez. me JULGO!
o tempo inteiro me preocupando com os julgamentos.
quem sou, como agi, o que fiz, o que pensei.
tanta insegurança.
que parei aqui, com essa casca grossa, intocável.
antes era tão fácil ser mimada, ser o centro.
e agora parece tão difícil.
me agradar irrita. e já não sei se é porque quero agrados vindos só de mim ou se não quero agrado nenhum.
tenho mostrado espinhos e tenho ferido com uma agressividade carregada de culpa.
tardia!
mas muito carregada.
e por que maldito motivo eu ando assim? logo eu, meu Deus, não desejei nunca tudo isso.
faltou afeto? faltou amor?
parece que tô tentando me equilibrar e não me jogar nas coisas, sempre com esse ar arrogante e sempre na defensiva.
tenho medo de fazer pelos outros e me machucar.
puta egoísmo.
é, eu me transformei em uma egoísta.
e isso dói mesmo, parece espinho do lado de dentro.
auto-depreciação.
que exploda meu interior.
por favor, você aí que tá lendo, entende isso?
sinto um vazio e sinto que feri.
mas olha, eu ainda sinto.

sábado, 21 de novembro de 2009

e se tudo isso, toda essa falta de pele, essas brigas na madrugada, o quarto desarrumado, o rosto cansado, o cansaço dos rostos uma da outra, e se tudo isso, for só amor?

te procuras aqui? ou procuras algo sobre ela? não te dói? estar aqui... procurar saber, ver, entender algo, sobre ela. que você já perdeu, admite! não, eu não tô sendo dura não. não tô tentando me fazer, não tô sendo hipócrita também. é só isso. entende? aceite que ela te deixou. aceite que a perdeu. e a culpa não é minha não, e digo isso sem dizer "poderia ter sido outra pessoa", não é o que quero dizer. o que eu quero que você entenda é que, poderia não ter sido ninguém. percebe? ela poderia estar sozinha ainda, sem rumo algum, sem pretexto, ela poderia estar na total solidão, ainda assim, não seria tua. e não é covardia, medo de tentar, é exaustão. tudo tem uma vida útil mesmo. não tô tentando me livrar de culpa nenhuma, vê? porque é claro que não tenho culpa. ela se cansou de você, das tuas cobranças, do teu sufocamento, das tuas manias. pensei agora que o contrário de cansaço talvez seja amor. ou você ama tudo do outro, ou tudo é pesado demais e cansa. e falando tudo isso, não quero que penses que me intrometi, que te desejo mal. na verdade, eu te desejo nenhum pouco de dor e nenhuma felicidade, desejo o que você se permitir alcançar. mas aqui não é o caminho. deixar ir, sabe??? deixar voar, escapar das mãos. ela não pertence mais a ti. e já pertenceu um dia? Eu te amo é só uma frase! mais que escuta-la, é preciso sentir. e eu sei que você sabe do que eu tô falando.
ah, eu sei!
tá doendo, não é? já começou a tremedeira pelo corpo e o choro? o aperto no peito, como se tivessem esmagando teu coração? a visão das coisas já está embaçada? é assim, são esses os estágios. agora me segue... respira, eu não tô aqui pra te agredir. acalme-se, vamos lá... repousa as mãos sobre os joelhos, olhe pra elas e respire. feche as mãos, pense em tudo dela, pense no sorriso, na voz, no corpo, no beijo, pense em tudo que há muito tempo você já não tem mais. pensou? agora abre tuas mãos e por mais que doa, deixe ela ir. é normal sentir esse arrepio, esse engasgo, é normal gemer, resmungar, soluçar, acredite! eu já senti tudo isso um dia. já me deixaram também. não sou uma casca sem sentimento. já sofri!
agora, feche tudo! as páginas, as janelas, as portas, o coração por algum tempo, tente dormir...
chore, o quanto precisar chorar e amanhã, logo cedo, dê bom dia pra primeira coisa que te fizer sorrir. não importa o que for, é apenas um bom dia! e respire aliviada, porque não irá doer mais.
deixe ir...
acho que você já encontrou o que procurava aqui.
agora vai lá, minhas mãos estão abertas sobre os joelhos, estou te deixando partir.

nessa onda de hipoglicemia, teu lado doce, têm me salvado a vida.

detesto pessoas idiotas e burras.

prepotente? sim.

já tive medo de muitas outras coisas, mas esse é que mais me deixa insône e perdida, tenho medo de esquecer teu rosto, na minha total ausência de vida.

só queria não ter pensado mil bobeiras, quando acendi o segundo cigarro e derrubei o travesseiro da cama, depois de ter jogado de lado o cobertor e fechado as cortinas. só queria não ter desejado nada, nem bem e nem mal, depois de brincar com a fumaça no ar e irromper o silêncio, com um suspiro. só queria não ter feito nada disso. talvez, nem existido.

qual associação existe entre luz e intensidade? ou tenho preguiça de pensar ou sei lá, ela confundiu as palavras. mais uma vez.

e não é só por causa desta caixa de chocolates que tenho em mãos, que acredito que será doce, é por mais, muito mais, que não tenho em mãos ainda.

irreal demais, ela diria, depois de ter-se adaptado ao vazio de não conseguir. subjetivo demais, contestaria, já que fazia o máximo para ser direta e chegar ao ponto que desejava, sem muitas explicações, sem quase nada. indolor, ela diria, já que sentia dores incuraveis, todos os dias, depois daquela partida. demais, ela pensaria, já que tudo pra ela, sempre foi de menos, sempre foi tão pouco e nunca teve valor algum.

saí arrebentando portas, aos gritos pelo corredor, atravessei o campo florido, com todas as pessoas nos bancos, tomando o sol gostoso do entardecer, pulei um pedaço de árvore no meio do caminho, digo pedaço porque cortaram inteira a vida dela, sobrou a raíz na terra, sem vida. pulei... e por pouco não dei de cara no chão, bati as palmas das mãos, tirando a areia e continuei correndo. corri, corri, corri, corri, corri... pra um lugar que não cheguei jamais.

tudo ficou sem gosto, inutil, dolorido, sofrido, quando ela me deixou.

então ele vira, com a maior cara de sem vergonha e imbecil, dizendo "sempre tive vontade de namorar uma escritora"
um gole no gin, respondo "eu também".

falta doce, falta açucar, falta mel.

sobra o gosto de ferro, entre os dentes.

ela pediu "bate a porta quando sair, por favor?!"
nem me perguntou se eu queria ir, se estava mesmo saindo.
nem me impediu.
bati.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

ele disse uma coisa bem sensata, nessa hora o passado surge. to esperando isso acontecer, pra me sentir melhor que isso e ter certeza que dessa vez, a única vez, direi não pra ela e sairei sorrindo.

sabe o que tenho nas mãos?

vida!

minha casa flutuante.

colocou água no copo até transbordar por toda a mesa, fiquei mais um ou dois minutos depois disso, não poderia me envolver com alguém sem auto-controle. logo eu, tão adaptada a copos vazios.

sou tão acostumada a sentir falta do que não presta que demorei a perceber que estava sentindo falta do que prestava, dessa vez.

estava entrando no onibus
quando senti a mão dela me segurando
pedindo pra não ir,
mas as vezes a gente nasce meio ao contrário,
quer sempre partir.
não é adeus pra sempre não, menina.
acho que volto pra te buscar.
ou pra me buscar
em ti,
que ficou com grande parte de mim.

ela sentindo fome, o pão em cima da mesa e eu nem ofereci um sanduíche. poxa vida, como sou desligada. é falta de amor isso?

estava me controlando, eu juro que estava, mas acabei sentindo a falta dela quando amanhecia. droga, não era esse o combinado comigo.

Pra Fer... (:







Pra Nay... FUCK!
ashuahsaushauhsaushaush

brincadeira.

amo vocês duas.
[e não tirem minha foto da porta, ok?!]

-para de gritar, por favor?
-não to gritando não. olha pra mim... eu preciso amar você, pra me amar também!
-não diz isso, me deixa... passe pra outro nível. você amava tanto a vida antes de mim...
-eu não tinha vida, amava as coisas porque queria que elas me amassem também.
-faz isso então, ame as coisas e não a mim. eu não posso retribuir.
-não me mata desse jeito?!
-é você sabe?! que vem me matando, que me sufoca com essa cobrança toda, que alimenta essa coisa.
-essa coisa?
-é, você criou isso daí que eu não sei o que é. nunca sei!
-isso é amor. você não vê?
-não... amor não é isso. não é criado. me entende?
-não quero ouvir tudo isso outra vez!
-por favor, para de gritar?
-não tô gritando pra você!
-mas eu tô ouvindo!
-não tô morrendo pra você também!
-eu sei! eu já disse que eu sei.
-mas você não vê, não é mesmo?
-é claro que eu vejo.
-o que você vê?
-que você não está morrendo pra mim!
-então porque você tá indo?
-porque tem os gritos e o sufocamente e a minha falta de retribuir. por favor, entenda... eu não posso mais... só isso!
-entendo.
-não grita...
-não vou gritar...
-e porque você não vai gritar?
-você nunca me escuta!
-tô te ouvindo agora...
...
-ei, fala comigo? olha pra mim...
...
ei...
ei...
-por favor, grita?!

mas eu tive algumas fases.
frases e imagens.
humor negro e duplo sentido.
e agora to aprisionada.
nos pequenos textos.
ainda, no sentido ambíguo.

ela diz que eu tô sempre olhando pro nada e pensando alguma coisa. mas isso é o que ela diz. pode ser que eu esteja sempre olhando pra alguma coisa e pensando em nada.

passei vinte e três anos me definindo em muitas palavras e cheguei aqui, sem saber quem sou.
deveria ter usado mais a palavra Dúvida.

tenho pendurado pelo quarto alguns papéis, algumas mensagens. tenho pendurado algumas pessoas, algumas lembranças. não tenho mais espaço.

cheguei até a Tiradentes, entrei mesmo em várias lojas de tecidos procurando uma cortina. andei toda a Riachuelo, em busca de uma prateleira. procurei gráficas e papelarias, pra comprar alguns clips. voltei pra casa, com um dell vale de uva e um bauru. atendi você e derrubei suco no edredon. dormi o dia inteiro. sou uma catastrofe.

tem esses dias, que fazem frio depois do sol forte, que me encontro extremamente feliz e rindo de pombos na praça, falando com vozes esquisitas e dizendo "ah não!" e nesses dias não escrevo. nesses dias não me encontro na tristeza e falta inspiração. deve ser a fuga das palavras, na boca aberta pra sorrir, o tempo inteiro.

sentou-se na cadeira do computador, com minha camiseta, colocou o óculos e começou a folhear um dos melhores livros da minha prateleira. falou algo como "nossa, é muito bom"... mas eu só conseguia observar o rosto e a minha resistência. tá dificil aceitar.

eu não sei amar não, tenho esses 3 anos de fracasso que me assombram. e acho que sempre me fodo, porque faço tudo, quero tudo, dou tudo e tudo é só o que sou. tem esse cara, batendo na minha porta, brincando com fogo no meio das ruas, nos gramados, dentro de casa, dentro de mim. e ele me assombra também, sabe?! ele deve ser tudo também.

levei pedradas demais enquanto tentava chegar aqui e agora surge você, passando a mão no meu rosto e dizendo que dá conta de todas essas coisas que mantive guardadas. me fazendo ter epifanias o tempo todo e usando tua atenção e nobreza pra me proteger, pra orientar esse sentimento que eu já estava trancando em um quarto escondido. surge você, com essas palavras calmas, essa paz interior e me diz que gosta de mim. sabe... eu não sou acostumada com isso, é tudo novo. me programei tanto pelo que eu queria e agora vejo que é isso e não sei como lidar. posso só ficar calada, sentindo? deixando ir... me levar.

domingo, 15 de novembro de 2009

tenho medo disso crescer demais e não caber em mim.

e quando tu me toca, sinto um segredo meu e teu, que anda guardado, explodindo em nossas mãos, saltando nas veias e querendo gritar em nossas vozes. quando tu me toca, te sinto mais minha que de qualquer outra que já tenha cruzado teu caminho. e desejo escurecer dentro de mim, na vergonha de não ser fiel e ser tudo de ruim que poderia. quando tu me toca, eu me toco junto, na minha metade mais sensivel, na parte de amor, que descubro só quando tu repousas as mãos sobre mim.

não, eu não sei amar. e talvez não seja esse o motivo pelo que vim. minha busca insana de descobrir a missão. me descobrir.

escondo sentimentos e rancores antigos para não magoar algumas pessoas e sinto minha alma corroendo por dentro, como um gigante que tomou conta de mim.

esses erros que me decepcionam alguns dias, vão embora sempre com a dor de ter perdido a capacidade de tentar. e sempre voltam com a incapacidade de ter conseguido.

instantaneamente comecei essa busca por felicidade que resultou em um crescimento espiritual muito prematuro.

a intenção de alterar tua maneira de me ver, causa minha escrita. e não altera é nada, tenho sentido.

-e se o desejo é o que nos move e nos faz feliz, o que vem depois então? a dor? conquistar dói?
-exatamente isso!
-meu Deus, tenho medo sabia?!
-de quê? conquistar e sentir dor?
-não... medo de não saber quanto mais dor eu poderia suportar se desejar já tem sido o que mais me machuca.

o limite do entendimento entre duas pessoas, deve ser o que tive contigo. saber exatamente o que você pensava e sentia, só em te passar os olhos pelo corpo.

me dou o direito de sorrir e de chorar, mas me dou, ainda mais, o dever de saber qual dos dois prefiro usar.

tenho a aparência de tudo que conclui até aqui. junção de acertos e falhas. bonita pra uns, horrível pra outros.

falei para um amigo hoje, no café, que eu acreditava em anjos e ele riu. mas minha crença me basta e acredito.

me rendi mesmo, sem nenhuma prática de como é que se fazia isso. só me rendi. ergui as mãos e fui sentindo o vento que batia no meu rosto, e observando o movimento de cada folha, de cada árvore. dei bom dia pro mundo e me rendi, porque estava feliz e é preciso sempre passar pro outro a felicidade. digo isso, porque tudo que fica guardado, vira amargura, parece que o tempo é dono de um poder de raiva muito grande e transforma lembranças sempre em algo que deveria ter ficado perdido no passado e não ficou.

encontro mesmo a força nessas coisas que me tocam como espinhos e me fazem sangrar.

-e não te parece um suicidio esse vicio de nunca manter os pés no chão? de fantasiar tanto e se entregar com suor em tudo que tu escreve? porque pra mim é desesperador não me fixar na realidade... e pra ti, o mundo imaginario é tão presente... não te sente matando um pouco do que deveria ser o real?
-e como é que você sabe o que é real? até onde os teus pés realmente estão no chão?

-e não é desespero isso de precisar sentir falta de alguma coisa?
-pode ser que sim, não sei... acho que é normal a gente sentir falta de alguém, não é?!
-não, nós sabemos muito bem viver sozinhos, sentimos falta apenas de ter falta de algo e por Deus, desde o século XVIII e XIX é que temos um campo de escolha tão vasto e não necessitariamos sentir essa falta, nós temos tudo, entende?
-entendo sim, mas sei lá, o tudo não é muito suficiente...
-nada é suficiente, nunca será!

Tudo vai ficar muito bem! eu prometo!

ela escreveu isso no meu braço e eu li tanto que tô acreditando.

é, eu não sei, alias, to sempre fingindo que não sei como é que se faz as coisas simples. acho que perdi no caminho aquela coisa de atenção que eu tinha e todo mundo é sempre qualquer um. sei lá, acho que me acostumei a fingir que não me importo e sempre me importo e não consigo fingir.

-olha Six, esse prédio!
-o que tem ele?
-não é lindo?
...
-é... nossa, é lindo mesmo.
-dá bom dia pra ele!
rs...

eu não sei mesmo como é que se faz isso de falar no diminutivo, achando que bonitinho não é só um feio arrumado e pode ser muito mais que uma palavra qualquer.
pra coisas que gosto muito, digo fantastico, genial, perfeito. mas bonitinho é tão pequeno, sei lá... acho que não conseguirei me adaptar e aceitar que as coisas pequenas podem ter um significado tão grande.

sábado, 14 de novembro de 2009

Vírus.

e as pessoas já andavam em passos largos, apressadas para chegar em casa, depois de trabalhar o dia todo naquele calor infernal, que parecia ter vindo de um deserto qualquer, trombavam entre si e desviavam ao mesmo tempo, entre olhares de cansaço e compreensão, uns com cigarros acesos, outros com sacolas de plástico nas mãos suadas e ainda os que olhavam para todos os lados, procurando uma direção para seguir, foi quando eu entrei lá e ela me sorriu. talvez não tenha sorrido porque sentiu vontade e sim porque já era hábito sorrir para todas as pessoas que entravam. só sei que ela me sorriu e passou a mão de leve sobre um tênis rosa e eu imaginei que se aquele calçado fosse meu rosto, ela poderia passar a mão em mim daquele jeito, como se fizesse carinho. perguntou se podia ajudar e eram tantas cores, tanta gente ao redor e meu rosto corado de um vermelho paixão, que eu tentava esconder olhando as prateleiras mais distantes, torcendo pra que visse algo que me agradasse, mesmo sabendo que eu gostava de quase tudo alí. então, um tênis branco qualquer e algo como era-isso-que-eu-procurava. e nem era. eu não procurava nada, ou procurava, mas me dei conta só quando a vi, com o cabelo bagunçado e o olhar de sono, me fitando e sorrindo. perguntou meu número e eu podia escutar burburinhos atras de mim, de gente esperando pra ser atendida, de funcionario rindo da situação, de carros passando na rua e portas de lojas sendo fechadas com impacto. é esse daqui! trinta e seis, talvez cinco. e saiu para o estoque, deixando só um rastro de entontecimento em mim, vaguei uns instantes, olhei ao redor, sentei em um banco de estrela, um puff, sei lá. e ela voltou com o sorriso de desapontamento, dizendo que não tinha meu número. por um minuto, eu desejando que ela tivesse falando do meu número de telefone e eu arrumaria uma caneta em um canto qualquer e ela poderia ligar um dia de sol, pra tomar um sorvete ou um chá, ou em um dia chuvoso, pra deitar ao meu lado no meu quarto sem cortinas e ficar observando o luminoso do prédio ao lado que indica a temperatura e me faz dormir. mas era o número do calçado que ela não tinha. e eu não podia sair dalí, não conseguia. olhava para os lados e na falta do que pedir, disse apenas "parece ridiculo, mas me deixe provar o trinta e quatro?" não ia servir mesmo em mim, mas eu gastaria uma eternidade, desamarrando os cadarços e fazendo esforço para o meu pé entrar, e nesse tempo todo, ela ficaria olhando para o movimento das minhas mãos e para minhas meias brancas, porque eu tinha essa mania de usar sempre meias brancas, enquanto eu poderia ficar contemplando a beleza dela e poderia imaginar viagens para todos os cantos do mundo, se ela quisesse ir comigo. faria planos de uma vida juntas, dormiria afagando seus cabelos e passaria o dia todo sonhando com ela. Não serviu, como eu já sabia. Moça, e esse daqui? apontei para outro tênis branco em uma das prateleiras e ela me sorriu. deve ter pensado que eu estava enrolando e não levaria nada, estava alí só pra olhar pra ela, mas ainda foi gentil, subiu no estoque, enquanto eu me matava de raiva por estar de uniforme e suja, voltou com o tênis em mãos e disse "prova". provaria o gosto dela incansavelmente, provaria do abraço dela todo minuto, provaria para o mundo que nada poderia estar perdido, porque eu tinha resolvido caminhar na rua xv e me deparei com o sonho mais doce que eu poderia ter e tinha me perdido. serviu, o tênis, as caracteristicas que eu via nela, tudo me serviu. vou levar! disse engasgada, querendo que ela respondesse que sim, que poderia leva-la pra onde eu quisesse, que ela estaria comigo, que ela confiaria se me visse chegando em casa todos os dias com novas propostas a fim de que ela me seguisse. saí da loja, com a sacola na mão e comecei a caminhar entre todas aquelas pessoas apressadas em chegar em casa, assim como eu. e cheguei, sentei na cadeira do quarto e fiquei contemplando meu tênis branco por horas, sorrindo, como se ele fosse um elo ou simplesmente o objeto que me faria caminhar novamente pra ti.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

não saberia mesmo dizer porque passou aquela dor de antes. como um suspiro louco, eu subi na mesa da sala e comecei a berrar que não amava mais, enlouquecidamente. então as pessoas vieram e tinha uma porta no chão, uns objetos quebrados e meus olhos foram marejando. senti a dó com que me olhavam e pensei que talvez eu tivesse enlouquecido de fato, mas não tinha, era só uma catarse que eu fazia pra me libertar do amor e da dor que ele trazia, ninguém precisava entender, mas que me deixassem alí, aquela casa, aquela mesa, os objetos, era tudo meu e não precisava de ninguém pra arrombar portas por causa dos meus gritos. não queria chorar porque me olhavam com dó. droga! eu mesmo me olhava com dó todos os dias. foi só um suspiro louco de adeus ou foi só um louco dando adeus, com seu último suspiro.

-isso dentro dos teus olhos, que grita nos dias de chuva é tristeza?
-não, é só medo de ficar sozinho!
-pra mim, tristeza e ficar sozinho sempre foram a mesma coisa!

e eu cheguei a pensar que era mesmo a última pessoa e aquilo duraria todo o resto da minha vida.
mas a minha vida ou é muito curta ou aquela não era a última pessoa, porque aquilo que vivemos já não existe mais. e quando ela aparecer, vestida de paz, como é de costume, mostrarei o inferno que vivo.

é, faz tempo que não escrevo sobre você, menina. que me consumiu por tanto tempo, me prendendo a todos teus gestos e atos loucos, que eu nunca entendia. faz tempo que não te vejo sorrir, abrindo a porta do carro. que me levou a situações que nunca imaginei. faz tempo que não sinto teu abraço, que me envolvia tanto e tinha uma carga enorme de afeto. é menina, depois daquele dia ensandecido, faz muito tempo. e já não olho as coisas daquele jeito de antes, porque outra pessoa surgiu e, bom... não preciso mesmo falar sobre isso. sabe menina, faz tempo que você ficou no passado e eu não tinha nem percebido.

-me deseje boa sorte?
-isso me faz lembrar um filme!
-qual filme?
-boa sorte no abismo profundo!
-não conheço!
-esse não é o filme...

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

sou bem inquieta mesmo, deve ser porque vivo o hoje querendo saber o que vem depois de amanhã.
ou não vivo?

seja muito mais que isso, antes de me conhecer, não gosto de pouca coisa pra me entregar tanto.

fiz um pacto com meu coração, ele continua batendo enquanto eu não estiver me debatendo.

declaro guerra a demonstrações de afeto na minha frente, choro vendo propagandas de presidiarios e nem conheço alguém que já foi preso um dia. só eu. presa nessa falta de afeto que me faz chorar.

só vou atras quando me interessa muito, e na maioria das vezes, nem o muito é suficiente.

queria materializar sentimentos, pra saber qual forma teria isso.

tinha chorado muito quando alguém me chamou de triste e acabei sorrindo, quando virei com o rosto cheio de orgulho, dizendo "triste é quem não sente nada, meu amigo". e eu sinto. sinto muito por tudo isso.

saudade deve ser isso que senti hoje, quando ela partia. parecia que tinham me roubado partes que eu nem sabia que tinha.

é óbvio que já tive mais audácia, já planejei coisas mais mirabolantes, inventei fórmulas secretas, imaginei até o que nunca existiu. é óbvio que acabei sozinha.

ela parecia uma vencedora, me olhando lá do alto, enquanto caíam os vidros.
e não atingia nenhum pedaço da pele, não sangrava.
mas o barulho, afetava de longe a minha tranquilidade incontida.

o que resta é sempre o sarcasmo ou algumas atitudes bem mesquinhas, peço mais criatividade aos homens pra atribuir-lhes o poder de amar.

gosto de dizer que meu mundo é assim, inviolável, e fico a espera de alguém que goste de dizer "adoro desafios".

foi só uma ferida que latejou por causa de uma imagem. logo cicatriza.

não conseguia dividir nem o espaço das minhas meias na gaveta e você esperava grandes planos pra nossa casa, esperava uma vida. por favor, preciso fazer tudo ao poucos, não espere por mim, ainda tô aprendendo a dobrar camisas.

na tua ausência, fumo um cigarro após outro, durmo mal e to sempre com dor nos pés, mas eu nem sinto. na tua ausência, tudo vai ruim demais, mas eu nem me sinto.

fiquei hesitando mesmo se deveria ir até lá e dizer que queria ter uma casa, filhos e cachorros latindo pelo quintal, enquanto ela jogava água nas flores e eu estaria sentada na cadeira da nossa pequena área, pensando "céus, como ela é linda"

vou fazendo desse jeito torto mesmo, porque é só assim que consigo. não me venha com tua retidão e displicência, apontar as falhas que vou deixando. preciso dessa ilusão de estar fazendo tudo perfeitamente como não combinamos. quer saber? deveriamos ter combinado alguma coisa, talvez uma maneira menos cruel de preencher lacunas, porque tô achando que sozinha, não consigo.

você sabia que provocando o outro lado te tiraria do centro das atençãos e tudo poderia continuar, sendo escondido. mas em algum momento, te vi com a cabeça baixa, parecendo brava e perdi a noção de até onde eu deveria fingir que me interessava pelo outro lado. então, desinteressei-me.

devo ser neurótica ou ter sentimentos descartaveis, porque não é comum [eu acho] deixar ir tão simples assim.

você compreende tudo isso? a necessidade que trago comigo de me doar tanto a você, que nem me conhece mais e não se interessa pelo meu riso. alias, não lembro quando foi a última vez que sorri, não desse jeito artificial que a gente faz quase todos os dias, mas sorri pra mim, verdadeiramente, porque até minhas veias sanguíneas saltavam de alegria. eu não me lembro e só indago se você compreende tudo isso, porque eu queria tirar os sapatos, puxar um cobertor até cobrir o rosto e pensar em como sou feliz. mas eu cubro minhas narinas e falta ar demais pra minha felicidade, me vem o choro e a falta do teu interesse pela minha vida. só trago essa necessidade surpreendente de querer sempre te trazer pra mim.

quando a primeira gota encostou na pele, pensei em correr e me esconder em qualquer canto ou buraco que me protegeria, mas depois vieram outras gotas e fui me acalmando, quando dei por mim, estava ensopado do meu maior medo e não tinha me escondido.

é que ele parecia tão afetuoso e cheio de qualidades, então foi ficando cada vez mais dificil não me interessar, fui percorrendo aqueles caminhos que ele mostrava e me entregando insone a todo amor que ele tinha. me culpo muito por ter dormido pouco e não visto os defeitos, a tempo te perceber que ele estava indo e eu ficando no caminho. vazio.

-o que é isso aí dentro?
-desapego!
-por que tá guardado?
-porque eu não consigo.

revirada.

então ela disse oi e foi um oi pra dentro de mim e de todas as fantasias que criei em sei lá, talvez 5 minutos... que pareciam 5 segundos, só porque eu queria ficar alí.
agora esse calçado branco terá uma história especial e incrivelmente engraçada.
não só pelo tombo, mas por todas as outras coisas que foram ditas e as coincidências que acabamos descobrindo.
Já dizia Caio "É preciso estar distraído e não esperando absolutamente nada. Não há nada a ser esperado. Nem desesperado."
e é fato, estavamos completamente distraídas.
e agora, olhando tudo com essa visão empolgante, depois da nossa conversa, me vem um sorriso bobo no rosto e penso naquilo que me disseste sobre ser iludida.
é por isso que mudamos de cidade, estado, de vida.
uma busca eterna pelo incompreensivel.
e no meio de tudo, em uma rua qualquer, a gente esbarra em algo tão novo e com tanta expectativa surgindo que nos resta deitar e sonhar, sem dormir.

"Num deserto de almas também desertas, uma alma especial reconhece de imediato a outra."

mistério é só o espaço de tempo entre a curiosidade e o descobrir.

Leia com muita atenção!


"ateando estranhos a procura do coração-dentro, dente de leão, na tempestade ensandecida de flores de fogo batendo asas de chantilly, e não ver o fogo pegando e lambendo por dentro, acendendo claro e noctívago um corpo em sapatos vermelhos. Um corpo único, que serpeja claro como nas fontes, e te dá a mão, como inocência que atrai maldade, e te perdes para em seguida te achares aí, sentada, olhando os outros como quem vê equações."

-ah sim, sou super independente com meu emprego ótimo, apto e carro.
-hum... e não te preocupas com os pensamentos alheios?
-não, nem um pouco!
-não te fere o que dizem ao teu respeito?
-não me interessa o que eles pensam!
-o que fazes no meu blog então, 'ser independente'?

vim por amor, que virou qualquer coisa, menos a inicial.

não sei reagir muito bem com um Adeus prematuro, mas reajo ainda pior com um Adeus de tempos atras.

"But if only you gave me the keys to your soul and let me in"

acho que sou uma construção de personalidade baseada em relacionamentos falidos.

RS

o melhor estado que tem.


o de risos.


[amei esse trocadilho, Gabi]

-ela poderia ser o amor da minha vida, é sério.
-e como você chegou a essa conclusão?
-não foi conclusão, foi só uma imaginação enquanto ela foi buscar o tênis.
-e quando ela voltou?
-sei lá, pensei "ela deve ser hetero"!
-mas ela veio falar contigo pelo orkut, não veio?
-sim!
-e se ela for o amor da tua vida?
-e se ela não for?
-bom, se ela não for, ao menos ela pode 'trazer' um pouco de amor pra sua vida, não?

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

só me pediram pra focar em algo que eu queria e faz um tempo já que tô focada nessa montanha russa, que nem se movimenta mais.

ele veio com aquela história de perder pra ganhar e eu já tinha perdido tanto sem vangloriar-me por vitórias, que achei tudo banal demais. resolvi então que queria ganhar pra perder e perdi mesmo, mas senti o gosto de vitória tão perto de mim, que não liguei pro resto.

tinha decidido que jamais me entregaria outra vez em troca de tão pouco amor, e tinha me dado conta de uma decisão tomada tarde demais.

foi dançando que desfilei por todo o salão e parei no mesmo lugar.

eu sou a menina das idéias, você pensa em ter um varal e lá estou eu com a cordinha enrolada no pescoço. e quando você pensa em pendurar as roupas, percebe que o armário está vazio já faz algum tempo.

desde a infância, meu sonho sempre foi construir uma casa de passarinhos.
e meu medo sempre foi descobrir que tenho asas e poderia me trancar naquela casa pra sempre.

o meu problema é pensar que nada é exatamente um problema e viver como se o mundo lá fora nunca me afetasse.

eu só não queria ser hipócrita por ter me mantido tão calada todo esse tempo. e agora me restou essa sombra do silêncio, de quem pensa mil coisas, jamais hipócritas e nunca diz nada.

foi nesse dia que percebi o quanto era dificil mudar, mas eu estava mesmo disposta e fui deixando algumas velhas manias pra tras, foi por pouco que quase não me deixei inteira.

e era natural saber, como a gente sempre sabe a hora certa de atravessar a rua.
mas eles ficaram parados, um de frente para o outro, se olhando, como se não soubessem.
e no fim, ninguém atravessou.

e ficamos tão próximas que eu podia sentir o cheiro dela, quando nos beijamos. foi aí que ouvimos um barulho no corredor e fui jogada pro outro lado. o lado daqueles que percebem o inicio de algo bem mais profundo.

algumas dessas coisas que eu tinha pra te dizer se negam a sair sem que com elas, venha o gosto de vodka.

e no fundo você sabe que tudo aquilo que eu não disse na hora, será escrito depois. você sabe que vou chegar em casa, aos berros de raiva, puxar a cadeira do computador e vomitar em palavras tudo que engoli, na tua frente. e no fundo, você sabe que depois disso, acenderei um cigarro e me sentirei livre de toda a culpa.

-como pode se definir alguém como peculiar?
-e pq não?
-sei lá, pq é estranho demais.
-e definir como estranho é comum, e agora?

ela jogou a perna em cima da minha perna e apontou pra janela, de onde algumas meninas acenavam. fingi que não via nada e quando ela foi embora, descobri mais um vicio. o de sonhar.

e quando ela disse que já estava indo, o silêncio tinha crescido tanto entre as paredes, que eu poderia ficar ali pelo resto da minha vida, sem ouvir mais nada.

e essa acaba por ser a maior dor que trago comigo. ver todos os erros lá de dentro, saber como muda-los e simplesmente continuar vivendo.

se foi.

achavam engraçado quando ela falava, porque tinha um arrastar de palavras diferente, uns diziam que era do leste e outros chutavam ser do sul, a verdade é que ninguém sabia de onde ela tinha vindo e nem porque estava exatamente alí, no meio daquela multidão toda.
sorria de uma forma bonita, não o belo físico. sim, ela tinha um rosto encantador, mas sorria com os olhos e eles pareciam deixar a alma dela sair e prender a atenção de quem olhava.
falava com as mãos e com o corpo, mas era tão discreta... ninguém entendia.
e não era um mistério, sempre foi muito simples.
chorou algumas vezes, eu vi.
e reclamou com uma voz pra dentro, de alguns erros que cometiam.
quando estava triste, caminhava por horas, pra alimentar os pensamentos sobre o que sentia.
sei que foi em um dia desses que ela acordou com sono e as coisas ruins do mundo vetaram seu sorriso.
saiu pra caminhar e observou todas as pessoas possíveis.
fingiu sentir a dor delas por alguns instantes.
fingiu ou sentiu.
não sei.
ela tinha esse dom, de sentir o que os outros sentiam e saber o que deveria ser feito.
dizia as coisas mais sábias e nem sempre era levada a sério.
sabia mesmo ser piadista, quando queria.
sofreu por vários amores que não deram certo, sofreu pela família.
mas o fato real é que foi nesse dia.
ela sentou em um banco e observava uma criança, correndo feliz com um cordão do casaco arrastando no chão e fechou os olhos, imaginou a criança caindo e se machucando.
viu sangue.
imprimiu as pálpebras com força e quando abriu, escutava um chorinho de dor.
e viu o menino no chão, com o rosto a sangrar.
achavam graça quando ela falava e se encantavam quando ela sorria, mas nesse dia o mundo ficou mais cinza.
alguns diziam que algo bom tinha se perdido.
eu só conseguia ver aquela menina doce, sentada no banco, parando de respirar.
eu só conseguia ver que ela partia.
e com ela, todo o dom de observar as pessoas e dizer coisas sábias.
e com ela, toda a luz e o choro que teve um dia.
e o mundo continuou sendo o mesmo quando alguns a imitavam, reclamando pra dentro, e indagando a Deus porque tinha sido assim.

eu e minha solidão.

tarde da noite é que resolvo arrumar os papéis, faço as melhores combinações de roupas, as caretas mais esquisitas frente ao espelho.
na madrugada é que minha pele fica mais clara e minha boca mais vermelha.
celular ao alcance das mãos é suicidio, telefonemas loucos que a gente dá.
tarde da noite é que dobro as roupas, penduro outras no cabideiro.
descubro meus erros de arrogância e me vejo sem ser mimada.
é nesses dias que me sinto sozinha e olho pra luz, deitada na cama, enquanto penso as maiores bobeiras que poderia.
abro minha playlist e escolho as mesmas músicas de sempre, minha trilha sonora da covardia.
sorteio uma frase em algum livro, como se ela fosse o pensamento ou a resposta-chave para o meu dia.
e tem horas que acho cedo demais pra que eu aprenda como é a vida, como é que ela nasce.
quando tenho tempo pra observar muito uma pessoa, penetro nela e me transformo na sua forma de ser.
já fui bandida, missionária, prostituta, criança, já fui um pouco de tudo.
e dá medo ser qualquer coisa e não ser nada do que deveria.
é visivel a tensão de estar sozinha?
parece engraçado quando a gente vive.
tarde da noite é que organizo meu outro dia, planejo toda a lista da metade das coisas que acabo fazendo.
fico só de camiseta no quarto.
parece engraçado isso?
é a vida.
limpo a escrivaninha, organizo os livros, tenho vontade de desenhar, mas não dá coragem, só vontade mesmo.
observo detalhes nas coisas, arrumo simétricamente tudo.
sempre fuço a mochila, confiro se tudo que preciso pro outro dia está lá dentro e tiro de lá alguns papéis que vão para o lixo.
tarde da noite, sinto saudades de casa, lembro dos meus irmãos e tento imaginar como eles estão.
coloco água nas flores, arrumo meus pares de meias, massageio meus pés.
faço tudo sozinha.
e tem noites que até gosto de ter esse tempo pra tudo isso.
mas algumas vezes, eu choro, em meio a um sorriso forçado pra janela.
como se alguém pudesse ver.
tarde da noite é que me encontro.
tarde da noite é que me dou conta...
da espera que vivo por você.

-boa noite!
-me vê uma skol, por favor?!
-só ver ou posso trazer também?

-sem dinheiro, no calor e sem sexo, me resta beber cerveja mesmo.
-pior eu, que nem bebo cerveja.

-tá tarde neh?
-tu quer ir embora?
-talvez...
-vai!

-deixei cair meu óculos de propósito, pra ela pegar e vir falar comigo.
-e o que ela disse?
-na verdade, perdi um óculos.

-então tem essa menina que anda me desafiando...
-que tipo de desafio?
-ah, ela finge que não tá nem aí pra mim, dá pra entender?
-dá!

-eu gosto de meninas com voz de ursinhos de pelúcia.
-e urso de pelúcia tem voz?
-se tivessem, seria como a tua!
-e que ursinho seria então?
-um urso panda, talvez.
-eu gosto de ursos.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Verdade ou Desafio?



Verdade!







deixe sua pergunta por comentário.

No one wants your opinion.

-você gosta da Ieda?
-sim... da minha e da tua!



[piada 'interna']

-o que você fez na mão?
-espanquei um cara no meio da rua, pq ele me chamou de gatinha!
-sério?
-sim... quebrei o nariz dele!
-sério mesmo???
-não, eu caí de uma escada!

rs...
...

fato!
[de 2 degraus]

-não sei pq 'a gente' acabou...
-mas não é preciso saber, só aceitar...
-não sei aceitar que acabou, ficou melhor pra você?
-nada ficou melhor depois do fim.

-você tem todas as pistas de como me conquistar, mas não tá fazendo nada direito!
-quem disse que quero te conquistar?

-eu amo você!
-tu quer bolo?
-não é a resposta que eu esperava!
-é de chocolate!
-quero.

-e chorar muda alguma coisa?
-não to chorando!
-mas chorou, teu olho...
-oq tem meu olho?
-tá vermelho... de quem chorou!
-você sempre liga cores com reações?
-na maior parte do tempo...
[rs]
...
-então me diz uma coisa...
-oq?
-pq meu mundo tá cinza?

-que cabeça dura que você é!
-eu? tu que começou a falar tudo bem rápido e não me deu espaço pra responder!
-lógico!
-como assim "lógico"? tu acha isso certo?
-certo é não ter tempo pra perceber que to errada!
-mas se tu diz isso, é pq sabe, não é?! não faz sentido...
-a única coisa que eu sei é que te queria e te deixar falar, é assumir isso!
-mas tu acaba de assumir isso agora...
-sim, pq tá na hora de ir embora e não precisarei te ouvir e nem falar mais nada!
-e eu sou a cabeça dura da história?
-é!
-e pq se eu to escutando e aceitando tudo?!
-você não tá aceitando tudo!
-ai meu Deus, tu tá me confundindo deste jeito... o que eu não to aceitando?
-que eu gosto de você!
-tens razão, é mesmo a hora de ir embora!

domingo, 1 de novembro de 2009

-eu só não sei o que fazer ou pensar, ou como reagir. acho que nunca fiz isso antes.
-o quê? reagir?
-não! isso...
-ah sim, entendo...
-e te fere falar assim?
-não, não me fere...
-fico feliz que entenda!
-não fique!
-desculpa, eu só não sabia o que dizer... acho que a palavra não era feliz.
-é, talvez não!
...
-satisfação?
-como?
-essa é a palavra!
-não, você entendeu errado! eu não quero te decepcionar!
-você está fazendo aquilo!
-o quê?
-reagindo!

-e agora, o que eu faço com tudo isso?
-e tem que ser feito algo?
-não tem?
-acho que não!
-então o que vem agora?
-a espera!
-e como eu fico enquanto esperar?
-fazendo alguma coisa!
-mas eu não deveria ficar sem fazer nada?
-e isso já não é fazer?
-não, isso é esperar!
-então você está no caminho certo!

jamais conto a minha história mais secreta.

e parecia uma mão estendida, oferecendo alguma coisa que eu precisava.
e parecia alguma coisa que eu precisava, contida na palma da mão.
foi aí que ela disse "não quero mais".
e ela não precisava do que tinha nas mãos.
eu.

-como você sabe que é a hora de parar?
-nunca sei!
-então, quando você para?
-eu paro?

-quero provar tudo aquilo que eles usaram!
-e se eles usarem você?
-terei certeza de que já provei demais.

no caminho de volta pra casa, me armei contra toda a vontade que se fazia presente. resolvi que preferia morrer a ter aquilo. e acho que morri. é, eu morri mesmo!

-não to dizendo que pedi aquilo, mas é que as vezes meu corpo envia sinais que nem percebo.
e algumas pessoas os recebem.
-e o que você faz quando isso acontece?
-já disse, não percebo!
-então o que elas fazem?
-elas os recebem!
-e o que acontece então?
-coisas que não pedi!

conta pra ela essa história!
qual?
essa que acabou!
MAS SE ACABOU, pra quê contar?

-você tem algo a dizer sobre isso?
-tenho!
-oq?
-talvez seja um recomeço!
-então terminou?

-viu todas aquelas pessoas passando?
-não vi, onde?
-lá onde eu estava!
-não, eu só via você!
-pq?
-pq com você nunca precisava ver mais ninguém ou mais nada!

-tu foi a pessoa que eu namorei, que mais me fez crescer, que me amadureceu mesmo por dentro. tu sabe que conquista qualquer pessoa com esse teu jeito. e esse teu sorriso, ele ilumina mesmo qualquer lugar!
-e porquê você não me faz sorrir?
-não é assim, meu bem. o que a gente tinha, não existe mais.
-e o que a gente teve mesmo?
-amor.
-é, amor.

-te passei meu telefone, não passei?
-passou!
-e porque você não ligou?
-pra quê?
-sei lá, pra saber se estava tudo bem, pra dizer que sentiu saudade ou vontade, por ligar!
-eu não ligo!
-percebi.
-não!! eu não ligo pra você!
-é, eu percebi, fiquei esses dias todos esperando o telefone tocar.
-você não entende duplo sentido não é mesmo?!
-é, eu não entendo nada!

algumas vezes sinto minha vida como uma avalanche.
e parece que eu estou lá embaixo, no começo, até tudo desabar.
até que alguém diz "essa é a vida".
e vejo que nem existia nada que pudesse mesmo despencar.

você precisa esquecer!
quem?
ela!
ela quem?
ela!
ahm...

enlaçar.

ainda é cedo e ela chora de dor.
tateia a mesa com a ponta dos dedos, acaba batendo em um objeto e outro.
e imprime os olhos com força, num abrir de vontade.
pra ver mais, ou simplesmente, pra ver.
qualquer coisa que não seja uma luz no fim do quarto escuro.
encontra uma caneta e tem vontade de escrever, mas é vontade, só vontade.
encontra algo que faz barulho e presta atenção no leve barulho, como se o som fosse algo novo na própria vida.
caminha em direção a luz, para e volta.
não domina os passos.
não sabe direito pra onde ir.
tem medo de abrir os braços.
pra se encontrar, dentro daquilo alí.
continua tateando até me encontrar.
passa a mão nos meus cabelos, afaga.
contorna minha boca com o dedo, desliza.
fecha meus olhos lentamente com o indicador, adormece.
dá um passo para tras.
ainda é cedo e ela corre de dor.
bate na parede, coloca as mãos sob os olhos, cansados.
se afasta, encosta, vai abaixando e chorando.
debruçando os braços no joelho.
desespero.
ela não sente mais.
tenta gritar, tenta dizer algo e não sai.
respira fundo, geme um pouco.
levanta e vai.
caminha até mim outra vez e parece me enxergar.
toca meus olhos com os olhos.
com o olhar.
toca minha boca com os lábios.
beijar.
toca meu corpo com o corpo.
encostar.
se afasta pela última vez.
e agora eu que não vejo mais.
resta uma luz forte no canto do quarto.
cambaleio, tateio alguns objetos.
tentando encontrar.
surge uma caneta, um som.
tudo novo demais.
caio, em um suspiro de derrota.
me ouço respirar.
ainda é cedo pra desistir.
mas não posso mais continuar.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

só dessa vez.

Conjugue o verbo no tempo certo.

-Não dorme!
-oi?
-eu disse não dorme.
-mas eu não tô dormindo.
-quero que você saiba o que vem agora!
-e o que é?
-o próximo nível!
-pra quê?
-porquê eu te quero dentro dele.
-e se eu já estiver dentro dele?
-Não está!

não tenho tempo pra vida, mas tenho tempo suficiente pra ver minha vida se despedaçar.

de repente, percebi algo vagamente esquecido, como se dissesse "quero entrar!".

até parece que eu te diria se isso fosse mesmo o que você pensou.

e ninguém vai penetrar nesse abismo, atrás da faixa amarela de impedido, se isso ficar entre nós.
e de fato, isso vai ficar.

faria carinho e arrancaria teus cabelos brancos, se soubesse onde andava tua cabeça naqueles dias.

deslizar...

é tão coberta de medo que vira nada.
é tão coberta de nada que parece medo.
é tão medo que nada encobre mais.

sempre tem!

e sempre tem aquela parte onde ela se olha no espelho pra pensar.
e sempre tem aquela parte que ela não pensa pra se olhar.

quebrar.

futilidade, você diria pra dentro de si.
e ecoaria nesse teu interior fútil.

paralelo.

amar o outro é poder de qualquer um.
é domínio de zé-ninguém.
amar a si é ...

se dominar.

repense.

ela estava lá por muito tempo, talvez uns 10 ou 15 minutos, talvez a vida toda.
e você nunca teve 10 ou 15 minutos como aqueles.
talvez você não tenha uma vida toda.
mas ela estava ou ainda está lá.

desafio!

é tão fácil ver as coisas boas da bondade e as ruins da maldade, difícil é ver e entender o inverso.


podes imaginar?

"tive"


eu só desisti, dessa coisa toda que a gente faz, de cobrir tudo-aquilo-que-me-aborrece. e digo mesmo que muita coisa me aborrece. e eu só desisti, de tentar fazer o sol nascer forte hoje, e trabalhei os olhos pra que eles pudessem enxergar qualquer coisa, por mais mínima que fosse, em qualquer escuridão. e quando digo tudo-que-me-aborrece, digo tudo mesmo, daquelas bobeiras mais simples esquecidas cinco minutos depois de terem sido causadas e daquelas feridas enormes que a gente leva anos pra curar. e nem cura de verdade, cicatrizes falsas demais. e tudo isso é só a falta de tempo e o ego que anda todo ferido. quem é que nunca feriu o próprio ego? quem é que nunca se feriu? eu só desisti de me importar. pequenas epifanias loucas que me dão hora ou outra, seja depois de acordar ou depois de esquecer de dormir, mas sempre vem. e clareiam a mente, o espaço e a total escuridão que adaptei meus olhos pra se guiarem. eu só tranquei, cobri, escondi do lado de dentro o que não queria mesmo que ninguém soubesse. mas tenho mania suja de me olhar do lado de dentro e droga! me olhar do lado de dentro é ver todo o aborrecimento trancado. e eu queria mesmo abrir umas portas ou os miolos, pra que saísse tudo-que-me-machuca. e quando digo tudo-que-me-machuca é tudo mesmo. eu ando perdendo pelo caminho pessoas que nem tive, pela minha falta de espaço, pela minha falta... de coisa demais. de sonhos. eu venho só perdendo. e falo no-meio-do-caminho como se soubesse que é mesmo o meio e soubesse exatamente por onde tenho caminhado, mas eu nem sei. acho que não sei de nada. nem se existe mesmo um caminho e se estou nele. só sei que algumas pessoas estão ficando pra trás, e isso é algo grudado do lado de dentro de mim, naquele monte de coisas-que-me-machucam-ou-aborrecem. para o amor uma bússola, onde quer que esteja, pra que possa se encontrar. ou pra que possa saber exatamente em qual parte do caminho ele está. e que me diga, por grito ou qualquer outra maneira de comunicação que se usa hoje em dia, que ele ta chegando perto ou está no meio da droga do caminho, mas que a gente vai mesmo se trombar por aí. eu só desisti de ser bondade e ser cruel pensando nos outros... cortei o elo com a moral. só desisti de fazer tudo tão certo, esperando retorno. e retorno é uma das coisas-que-me-machucam, porque é pra minha egocêntrica forma de ver a vida, sempre pouco demais. cá estou, falando de vida. eu que acho até que desisti de viver. alguns amigos meus sempre dizem "e a vida como vai?" respondo de toda a falsidade contida nas palavras "vai bem". eu minto. a vida vai uma merda, tudo anda errado, me falta tempo, me falta centro, na verdade, meu amigo, acho que a vida não vai. eu é que tô indo, pra algum abismo ridículo de auto-depreciação, eu é que tô indo pra algum lugar. porque insisto nessa idiotice de ter um caminho, pra alcançar tudo que afeta-meu-grande-orgulho. sim, ele ainda é grande demais. o orgulho em si, só pode ser grande, é palavra de amplitude. é sempre mais. e eu tô aqui com essa coisa que afeta-meu-grande-orgulho, totalmente engasgada. e nem sei de onde foi que me veio a ideia, imbecil de fato, de que poderia ao menos tentar engolir isso tudo. me dediquei bem, pra todas as asneiras e sentimentos que se afugentaram na cara dura. me dediquei. e foi por puro egoísmo, ou maldade, ou sei lá como preferem chamar esse bolo, que a dedicação não resultou em nada. e agora, sou um pedido de desculpas ambulante, carregando a dedicação como um fardo pesado nas costas, caminhando pra dentro, chegando em nenhum lugar. nunca existiu o fim daquilo que se queria por algum tempo, a vontade é sempre vencida antes. realizar é triste demais. tudo-aquilo-que-me-aborrece é só tudo-aquilo-que-me-machuca e resulta em tudo-aquilo-que-afeta-meu-orgulho. a minha bela e falsa amplitude. a mim, uma bússola, pra me guiar, nesse treco doido que eu chamo de caminho, já que escondo tão bem os nomes próprios das coisas, já que encoberto tão bem os meus sentimentos. a mim, uma droga de uma bússola, que indique o norte e o sul, o fora e o dentro, pra que eu possa me encontrar.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

C.F

"André enlouqueceu ontem à tarde. Devo dizer que também acho um pouco arrogante de minha parte dizer isso assim – enlouqueceu -, como se estivesse perfeitamente seguro não só da minha sanidade mas também da capacidade de julgar a sanidade alheia. Como dizer então? Talvez: André começou a comportar-se de maneira estranha, por exemplo? ou : André estava um tanto desorganizado; ou ainda: André parecia muito necessitado de repouso. Seja como for, depois de algum tempo, e aos poucos, tão levemente que apenas ontem à tarde resolvi tomar essa providência, André – desculpem a minha audácia ou arrogância ou empáfia ou como queiram chamá-la, enfim: André enlouqueceu completamente. Pensei em levá-lo para uma clínica, lembrava vagamente de ter visto no cinema ou na televisão um lugar cheio de verde e pessoas muito calmas, distantes e um pouco pálidas, com o olhar fora do mundo, lendo ou recortando figurinhas, cercadas por enfermeiras simpáticas, prestativas. Achei que André seria feliz lá. E devo dizer ainda que gostaria de vê-lo feliz, apesar de tudo o que me fez sofrer nos últimos tempos. Mas bastou uma olhada no talão de cheques para concluir que não seria possível. Então optei pelo hospício. Sei, parece um pouco duro dizer isso assim, desta maneira tão seca: então-optei-pelo-hospício. As palavras são muito traiçoeiras. Para dizer a verdade, não optei propriamente. Apenas:

1º) eu tinha pouquíssimo dinheiro e André menos ainda, isto é, nada, pois deixara de trabalhar desde que as borboletas nasceram em seus cabelos;
2º) uma clínica custa dinheiro e um hospício é de graça.

Além disso, esses lugares como aquele que vi no cinema ou na televisão ficam muito retirados – na Suíça, acho -, e eu não poderia visitá-lo com tanta freqüência como gostaria. O hospício fica aqui perto. Então, depois desses esclarecimentos, repito: optei pelo hospício. André não opôs resistência nenhuma. Às vezes chego a pensar que ele sempre soube que, de uma forma ou outra, fatalmente acabaria assim. Portanto, coloquei-o num táxi, depois desembarcamos, atravessamos o pátio e, na portaria, o médico de plantão nem sequer fez muitas perguntas. Apenas nome, endereço, idade, se já tinha estado lá antes essas coisas – ele não dizia nada e eu precisei ir respondendo, como se o louco fosse eu e não ele. Ah: nem por um minuto o médico duvidou da minha palavra. Pensei até que, se André não estivesse realmente louco e eu dissesse que sim, bastaria isso para que ele ficasse por lá durante muito tempo. Mas a cara dele não enganava ninguém, sem se mover, sem dizer nada, aqueles olhos parados, o cabelo todo em desordem. Quando dois enfermeiros iam levá-lo para dentro eu quis dizer alguma coisa, mas não consegui. Ele ficou ali na minha frente, me olhando. Não me olhando propriamente, havia muito tempo que não olhava mais para nada, seus olhos pareciam voltados para dentro, ou então era como se transpassassem as pessoas ou objetos para ver, lá no fundo deles, uma coisa que nem eles próprios sabiam de si mesmos. Eu me sentia mal com esse olhar, porque era um olhar muito… muito sábio, para ser franco. Completamente insano, mas extremamente sábio. E não é nada agradável ter em cima de você, o tempo todo, na sua própria casa, um olhar desses, assim trans-in-lúcido. Mas de repente seus olhos pareceram piscar, mas não devem ter piscado – devo esclarecer que, para mim, piscar é uma espécie de vírgula que os olhos fazem quando querem mudar de assunto. Sem piscar, então, os olhos dele piscaram por um momento e voltaram daquele mundo para onde André havia se mudado sem deixar endereço. E me olharam os olhos dele. Não para uma coisa minha que nem eu mesmo via, através de mim, mas para mim mesmo fisicamente, quero dizer: para este par de órgãos gelatinosos situados entre a testa e o nariz, meus olhos, para ser mais objetivo. André olhou bem nos meus olhos, como havia muito não fazia, e fiquei surpreso e tive vontade de dizer ao médico de plantão que era tudo um engano, que André estava muito bem, pois se até me olhava nos olhos como se me visse, pois se recuperara aquela expressão atenta e quase amiga do André que eu conhecia e que morava comigo, como se me compreendesse e tivesse qualquer coisa assim como que uma vontade de que tudo desse certo para mim, sem nenhuma mágoa de que eu o tivesse levado para lá. Como se me perdoasse, porque a culpa não era minha, que estava lúcido, nem tampouco dele, que enlouquecera. Quis levá-lo de volta comigo para casa, despi-lo e lambê-lo como fazia antigamente, mas havia aquele monte de papéis assinados e cheios de x nos quadradinhos onde estava escrito solteiro, masculino, branco, coisas assim, os enfermeiros esperando ali do lado, já meio impacientes . tudo isso me passou pela cabeça enquanto o olhar de André pousava sobre mim e sua voz dizia: * – Só se pode encher um vaso até a borda. Nem uma gota a mais. Então vim embora. Os enfermeiros seguraram seus braços e o levaram para dentro. Havia alguns outros loucos espiando pela janela. Eram feios, sujos, alguns desdentados, as roupas listradinhas, encardidas, fedendo. Pensei que o médico ia colocar a mão no meu ombro para depois dizer coragem, meu velho, como tenho visto no cinema. Mas ele não fez nada disso. Baixou a cabeça sobre o monte de papéis como se eu não estivesse mais ali, dei meia volta sem dizer nada do que eu queria dizer, que cuidassem bem dele, não o deixassem subir no telhado, recortar figurinhas de papel o dia inteiro, ou retirar borboletas do meio dos cabelos como costumava fazer. Atravessei devagar o pátio cheio de loucos tristes, hesitei no portão de ferro, depois resolvi voltar a pé para casa. Era de tardezinha, estava horrível na rua, com todos aqueles automóveis, aquelas pessoas desvairadas, as calçadas cheias de merda e lixo, eu me sentia mal e muito culpado. Quis conversar com alguém, mas me afastara tanto de todos depois que André enlouquecera, e aquele olhar dele estava me rasgando por dentro, eu tinha a impressão de que o meu próprio olhar tinha se tornado como o dele, e de repente já não era mais uma impressão. Quando percebi, estava olhando para as pessoas como se soubesse alguma coisa delas que nem elas mesmas sabiam. Ou então como se as transpassasse. Eram bichos brancos e sujos. Quando as transpassava, via o que tinha sido antes delas, e o que tinha sido antes delas era uma coisa sem cor nem forma, eu podia deixar meus olhos descansarem lá porque eles não se preocupavam em dar nome ou cor ou jeito a nenhuma coisa, era um branco liso e calmo. Mas esse branco liso e calmo me assustava e, quando tentava voltar atrás, começava a ver nas pessoas o que elas não sabiam de si mesmas, e isso era ainda mais terrível. O que elas não sabiam de si era tão assustador que me sentia como se tivesse violado uma sepultura fechada havia vários séculos. A maldição cairia sobre mim: ninguém me perdoaria jamais se soubesse que eu ousara. Mas alguma coisa em mim era mais forte que eu, e não conseguia evitar de ver e sentir atrás e além dos sujos bichos brancos, então soube que todos eles na rua e na cidade e no país e no mundo inteiro sabiam que eu estava vendo exatamente daquela maneira, e de repente já não era mais possível fingir nem fugir nem pedir perdão ou tentar voltar ao olhar anterior . e tive certeza de que eles queriam vingança, e no momento em que tive certeza disso, comecei a caminhar mais depressa para escapar, e Deus, Deus estava do meu lado: na esquina havia um ponto de táxi, subi num, mandei tocar em frente, me joguei contra o banco, fechei os olhos, respirei fundo, enxuguei na camisa as palmas visguentas das mãos. Depois abri os olhos para observar o motorista (prudentemente, é claro). Ele me vigiava pelo espelho retrovisor. Quando percebeu que eu percebia, desviou os olhos e ligou o rádio. No rádio, uma voz disse assim: Senhoras e senhores, são seis horas da tarde. Apertem os cintos de segurança e preparem suas mentes para a decolagem. Partiremos em breve para uma longa viagem sem volta. Atenção, vamos começar a contagem regressiva: dez-nove-oito-sete-seis-cinco… Antes que dissesse quatro, soube que o motorista era um deles. Mandei-o parar, paguei e desci. Não sei como, mas estava justamente em frente à minha casa. Entrei, acendi a luz da sala, sentei no sofá. A casa quieta sem André. Mesmo com ele ali dentro, nos últimos tempos a casa era sempre quieta: permanecia em seu quarto, recortando figurinhas de papel ou encostado na parede, os olhos olhando daquele jeito, ou então em frente ao espelho, procurando as borboletas que nasciam entre seus cabelos. Primeiro remexia neles, afastava as mechas, depois localizava a borboleta, exatamente como um piolho. Num gesto delicado; apanhava-a pelas asas, entre o polegar e o indicador, e jogava-a pela janela. Essa era das azuis . costumava dizer, ou essa era das amarelas ou qualquer outra cor. Em seguida saía para o telhado e ficava repetindo uma porção de coisas que eu não entendia. De vez em quando aparecia uma borboleta negra. Então tinha violentas crises, assustava-se, chorava, quebrava coisas, acusava-me. Foi na última borboleta negra que resolvi levá-lo para o lugar verde, e mais tarde, para o hospício mesmo. Ele quebrou todos os móveis do quarto, depois tentou morder-me, dizendo que a culpa era minha, que era eu quem colocava as borboletas negras em seus cabelos, enquanto dormia. Não era verdade. Enquanto dormia, eu às vezes me aproximava para observá-lo. Gostava de vê-lo assim, esquecido, os pêlos claros do peito subindo e descendo sobre o coração. Era quase como o André que eu conhecera antes, aquele que mordia meu pescoço com fúria nas noites suadas de antigamente. Uma vez cheguei a passar os dedos nos seus cabelos. Ele despertou bruscamente e me olhou horrorizado, segurou meu pulso com força e disse que agora eu não poderia fingir que não era eu, que tinha me surpreendido no momento exato da traição. Era assim, havia muito tempo, eu estava fatigado e não compreendia mais. Mas agora a casa estava sem André. Fui até o banheiro atulhado de roupas sujas, a torneira pingando, a cozinha com a pia transbordando pratos e panelas de muitas semanas, a janela de cortinas empoeiradas e o cheiro adocicado do lixo pelos cantos, depois resolvi tomar coragem e ir até o quarto dele. André não estava lá, claro. Apenas as revistas espalhadas pelo chão, a tesoura, as figurinhas entre os cacos dos móveis quebrados. Apanhei a tesoura e comecei a recortar algumas figurinhas. Inventava histórias enquanto recortava, dava-lhes profissões, passados, presentes, futuros era mais difícil, mas dava-lhes também dores e alguns sonhos. Foi então que senti qualquer coisa como uma comichão entre os cabelos. Aproximei-me do espelho, procurei. Era uma borboleta. Das azuis, verifiquei com alegria. Segurei-a entre o polegar e o indicador e soltei-a pela janela. Esvoaçou por alguns segundos, numa hesitação perfeitamente natural, já que nunca antes em sua vida estivera sobre um telhado. Quando percebi isso, subi na janela e alcancei as telhas para aconselhá-la: – É assim mesmo . eu disse. . O mundo fora de minha cabeça tem janelas, telhados, nuvens e aqueles bichos brancos lá embaixo. Sobre eles, não se detenha demasiado, pois correrá o risco de transpassá-los com o olhar ou ver neles o que eles próprios não vêem, e isso seria tão perigoso para ti quanto para mim violar sepulcros seculares, mas, sendo uma borboleta, não será muito difícil evitá-lo: bastará esvoaçar sobre as cabeças, nunca pousar nelas, pois pousando correrás o risco de ser novamente envolvida pelos cabelos e reabsorvida pelos cérebros pantanosos e, se isso for inevitável, por descuido ou aventura, não deverás te torturar demasiado, de nada adiantaria, procura acalmar-te e deslizar pra dentro dos tais cérebros o mais suavemente possível, para não seres triturada pelas arestas dos pensamentos, e tudo é natural, basta não teres medos excessivos. trata-se apenas de preservar o azul das tuas asas. Pareceu tranqüilizada com meus conselhos, tomou impulso e partiu em direção ao crepúsculo. Quando me preparava para dar volta e entrar novamente no quarto, percebi que os vizinhos me observavam. Não dei importância a isso, voltei às figurinhas. E novamente começou a acontecer a mesma coisa: algo como borbulhar, o espelho, a borboleta (essa era das roxas), depois a janela, o telhado, os conselhos. E os vizinhos e as figurinhas outra vez. Assim durante muito tempo. Já não era mais de tardezinha quando apareceu a primeira borboleta negra. No mesmo momento em que meu indicador e polegar tocaram suas asinhas viscosas, meu estômago contraiu-se violentamente, gritei e quebrei o objeto mais próximo. Não sei exatamente o que, sei apenas do ruído de cacos que fez, o que me deixa supor que se tratasse de um vaso de louça ou algo assim (creio que foi nesse momento que lembrei daquele som das noites de antes: as franjas do xale na parede caído sobre as cordas do violão de André quando rolávamos da cama para o chão). Pretendia quebrar mais coisas, gritar ainda mais alto, chorar também. Se conseguisse, porque tinha nojo e nunca mais . quando ouvi um rumor de passos no corredor e diversas pessoas invadiram o quarto. Acho que meu primeiro olhar para elas foi aquele que tive antigamente, cheguei a reconhecer alguns dos vizinhos que nos observavam sempre, o homem do bar da esquina, o jardineiro da casa em frente, o motorista do táxi, o síndico do edifício ao lado, a puta do chalé branco. Mas em seguida tudo se alargou e não consegui evitar de vê-las daqueles outros jeitos, embora não quisesse, e meu jeito de evitar isso era fechar os olhos, mas quando fechava os olhos ficava olhando pra dentro do meu próprio cérebro . e só encontrava nele uma infinidade de borboletas negras agitando nervosamente as asinhas pegajosas, atropelando-se para brotar logo entre os cabelos. Lutei por algum tempo. Tinha alguma esperança, embora fossem muitas mãos a segurar-me. Ao amanhecer do dia de hoje fui dominado. Chamaram um táxi e trouxeram-me para cá. Antes de entrar no táxi tentei sugerir, quem sabe aquele lugar de muito verde, pessoas amáveis e prestativas, todas distantes, um tanto pálidas, alguns lendo livros, outros cortando figurinhas. Mas eu sabia que eles não admitiriam: quem havia visto o que eu via não merecia perdão. Além disso, eu tinha desaprendido completamente a sua linguagem, a linguagem que também tive antes, e, embora com algum esforço conseguisse talvez recuperá-la, não valia a pena, era tão mentirosa, tão cheia de equívocos, cada palavra querendo dizer várias coisas em várias outras dimensões. Eu agora já não conseguia permanecer em apenas uma dimensão, como eles, cada palavra se alargava e invadia tantos e tantos reinos que, para não me perder, preferia ficar calado, atento apenas ao borbulhar das borboletas dentro do meu cérebro. Quando foram embora, depois de preencherem uma porção de papéis, olhei para um deles daquele mesmo jeito que André me olhara. E disse-lhe: – Só se pode encher um vaso até a borda. Nem uma gota a mais. Ele pareceu entender. Vi como se perturbava e tentava dizer, sem conseguir, alguma coisa para o médico de plantão, observei que baixava os olhos sobre o monte de papéis e a maneira indecisa com que atravessava o pátio, para depois deter-se ao portão de ferro, olhando para os lados, depois se foi, a pé. Em seguida os homens trouxeram-me e enfiaram uma agulha no meu braço. Tentei reagir, mas eram muito fortes. Um deles ficou de joelhos no meu peito enquanto o outro enfiava a agulha na veia. Afundei num fundo poço acolchoado de branco. Quando acordei, André me olhava dum jeito totalmente novo. Quase como o jeito antigo, mas muito mais intenso e calmo. Como se agora partilhássemos o mesmo reino. André sorriu. Depois estendeu a mão direita em direção aos meus cabelos, uniu o polegar ao indicador e, gentilmente, apanhou uma borboleta. Era das verdes. Depois baixou a cabeça, eu estendi os dedos para seus cabelos e apanhei outra borboleta. Era das amarelas. Como não havia telhados próximos, esvoaçavam pelo pátio enquanto falávamos juntos aquelas mesmas coisas, eu para as borboletas dele, ele para as minhas. Ficamos assim por muito tempo até que, sem querer, apanhei uma das negras e começamos a brigar. Mordi-o muitas vezes, tirando sangue da carne, enquanto ele cravava as unhas no meu rosto. Então vieram os homens, quatro desta vez. Dois deles puseram os joelhos sobre nossos peitos, enquanto os outros dois enfiavam agulhas em nossas veias. Antes de cairmos outra vez no poço acolchoado de branco, ainda conseguimos sorrir um para o outro, estender os dedos para nossos cabelos e, com os indicadores e polegares unidos, ao mesmo tempo, com muito cuidado, apanhar cada um uma borboleta. Essa era tão vermelha que parecia sangrar."

ok?

tinha bebido, resolvi mandar mensagem.
nem sei se me arrependi.
mas ela me provoca.
e estava com um cheiro bom.
com um sorriso lindo.
e o sotaque que sinto falta de ouvir.
mangas de fora.
alargadores.
e diz coisas que me incomodam.
mas me joga no alto.
e faz um certo ar arrogante.
que acho medíocre.
me entreguei.
olhei outra vez aquele rosto, que já aboli outro dia.
e me teve outra vez.
eu não sei.
qual caminho ela deveria seguir e dou pistas que já usei.
deixo dicas diretas do que deveria ser feito.
e ela nunca obedece.
gosta do contrário, inverso proporcional de me perder.
afasta meus planos, que nem faço e porquê?
ela me quer e faz tudo errado pra me ter.
só consigo pisotear os sonhos.
e ligar algumas vezes, porque confio no que vou dizer.
e tenho a certeza de fazer o certo.
me agrada e satisfaz, ferir você.
tem tudo que não gosto.
e gosto de algo entre quatro paredes.
não me entrego assim, nego até o final.
que ela precisa de mim, mas eu preciso muito mais dela.
e gosto daquele maldito beijo.
e tenho vontade de gritar, esquecer.
mas me prendi ao jeito que ela tem de me definir.
sem me conhecer.
será que eu a conheço?
a menina que escreve e desenha paredes.
provoca raiva.
e não aceito que o ódio e a vontade de nunca mais ver é resultado de gostar demais.
sumo.
fujo.
me escondo.
e ela sempre sabe onde me encontrar.
é uma criança ainda, me deixando mal por aprender.
detesto teu cigarro.
adoro teu gosto e o beijo que sai da tua boca.
gosto mesmo de sentir tuas mãos em mim.
e tenho vontade de dormir do teu lado.
nego, viro as costas.
mas acabo pensando e me interessa tudo que você vai escrever.
te acho imbecil falando sobre isso.
lendo isso e vendo como você tenta me conhecer.
me sinto imbecil, por não querer ver.
me sinto superior fugindo de você.


eu também.

vi sim, eu vi!

andando foi que eu vi, o olhar dela no meio da rua.
um mistério.
minha mãe reclamando dos meus tênis sujos.
em Outubro, chegando Novembro.
eu querendo tocar o impossível.
não podia esquecer de regar as plantas.
tinha que comprar pão.
e só via o olhar dela no meio da rua, me olhando.
descobri.
as cadeiras não poderiam ficar na garagem.
e o lugar do cadeado era no portão.
os papéis estavam caindo da estante.
o suco congelando no refrigerador.
e ela passando, na rua.
me olhou.
o mp3 ficou sem som, fim de bateria.
esqueci a mochila no banco.
encerrei a conta e ela sentou.
pensei em quando meu pai surgiu.
e eram tantas coisas pra lembrar.
mas eu só lembrava de olhar pra ela.
no mês que vem, talvez vire amor.

nada.

suponho que tivemos um caso.
quebrado.
suponho que nos detestamos agora.
disfarçadamente.
aqui na minha mente, ouço vozes.
ouço palavras.
escrevo músicas.
suponho que nada disso aconteceu.

maldito relógio.

as coisas foram indo
meu primo acabou entrando para o exército
tomei mais uma dose
olhei a bolsa
precisei até de uma dança
pra provar pra mim e pro mundo
que tudo era pequeno e adiante
teu beijo
que me abandonou
e lembrei de tudo que havia ficado pra trás.
saudade de casa.
perdi a época que meu irmão aprendia a caminhar
esqueci as entonações das vozes.
tudo seguiu meio que quebrado
distante daqueles que eu queria fora.
aqueles que constituíam minha parte.
mais protegida.
minha mãe me contou orações e eu nem sabia que ela era religiosa.
mas tudo está bem.
bem.
bem.
até eu me dar conta de ter perdido.
minha irmã já não usa roupa de bichinhos.
e meu pai não sei onde está.
mas tudo está bem.
estou voltando.
abram o portão.
fui pra longe crescer e quebrei uma parte de mim.
que só recupero em vocês.
eu aprendi a amar.
e dói.
dói.
dói.
pra parecer que está tudo bem.
que estou melhor.
não organizo a agenda como antes.
não sei mais os aniversários.
e acho tudo muito distante ou longo.
toda hora parece sempre a mesma hora.
11:11

palavra áspera.
eu sou.
palavra.
você é.
áspera.

re-quebrado.

requebro e quebro.
você!
requebra e quebra.
Eu!

aos cacos.

3, 2, 1...

1, 2, 3... morro por você.
múltiplo de 2.
Sei-s!

Repulsa.

te encontre neste texto, onde recordo tua boca passando na minha
e tuas pernas nos meus ombros.
sapato vermelho.
te leia aqui, onde escuto teu gemido alto e minhas costas batendo na porta.
sinto gosto de zíper que não se abre, na minha boca.
e provoco, a tua vontade mais particular.
de sentir minha língua.
contorcendo o corpo, nas minhas mãos.
que contornam e apertam, todos os lugares.
e os dentes na tua barriga, mordendo.
prensando, contato, uma dentro da outra e a parede.
jogando, batendo, se empurrando para todos os lados.
repulsa?
é nada mais que a tua vontade.
de me ter!

anagrama com a palavra repulsa:

PULSEAR
{
V.t. Tomar o pulso a, sentir, observar.}

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

tá onde?

-estava engraçado!
-o quê?
-eu vendo você me procurar, passando pra lá e pra cá!
-eu não estava te procurando!


-eu só te encontrei.


sempre vou encontrar!

ao som de Hey! [Pixies]

quem?

eu queria saber quem é você no espelho que sempre reclama do meu cabelo curto.
que me pede mais sono, pra diminuir as olheiras.
fala dos olhos inchados de alergia e me lembra sempre de não dormir com ursos.
quem é você que me persegue e ta sempre junto, no mesmo caminho.
que faz cara feia quando acendo um cigarro e acabo tossindo.
me deixa com medo do escuro.
me faz prestar atenção nas vozes que quebram o silêncio noturno.
eu queria saber quem é você que sempre sabe meus endereços.
liga durante meu sono e quando atendo, desliga.
respira todo dia na minha nuca.
queria saber quem é você que compra o pão de manhã cedo e sempre deixa a mesa arrumada.
e sabe a quantidade do meu açucar.
meu tique terrivel de arrumar simetricamente os papeis e objetos.
e ta mesmo tão perto que nunca te alcanço.
queria saber quem é você que me manda cartas sem remetente.
escolhe sempre a melhor música.
escreve os melhores poemas e os solta no vento, como um costume.
queria saber quem é você que liga o aquecedor, me cobre e acaricia meu rosto.
diz as palavras mais doces e me embala dormindo.
deixa bilhetes, pedindo pra comprar água e não esquecer de tirar o lixo.
deixa a pasta de dentes aberta na pia todos as manhãs.
briga com minha auto-depreciação e meu jeito melindroso.
queria saber quem é você que me julga tão incontido.
esquece a toalha molhada em cima da cama e a janela aberta pra chuva.
queria saber quem é você que conhece todos os meus defeitos.
anda tão escondido.
que sorri discreto pra vida e se levanta para o mundo.
que enxerga tão bem a minha luz.
e tem o abraço onde posso me perder.
a boca onde contorno os lábios.
eu queria mesmo saber quem é você que nunca se atrasa, sabe as datas.
compra leite de soja no mercado 24 horas.
arruma meus travesseiros jogados.
e cuida dos cactos.
queria saber quem é você que lê meus livros.
e sabe minhas frases batidas.
ri das minhas caretas e sempre me olha.
queria saber quem é você que rouba meus desenhos.
e me ama.
e que eu amo também.
queria saber quem é você que eu tanto procuro.

sei.

paro nas praças e leio jornais, esperando o tempo passar.
contemplo todas as cores do mundo.
tenho outra forma de viver.
percebo os detalhes despercebidos que quase ninguém vê.
minha falta de perspectiva incomoda você.
mas faço mil planos.
muitos que já alcancei.
é medo.
eu sei.
abro o leque que te afasta e vejo todos os erros.
não ignoro as coisas boas que me trazem.
não me viro para os conselhos.
eu sei.
há muito ainda pra aprender.
com você.
que foge todas as noites e nunca acorda ao meu lado.
é lindo meu sorriso ao amanhecer.
e é medo.
de se perder e depois me perder.
é não arriscar uns anos loucos ou a eternidade.
felizes.
umas descobertas que pareciam tão impossiveis.
paro nas vitrines e já li tantos livros que vejo.
falo de tantos filmes e músicas.
me doou à você.
vejo o céu como a última vez.
não por ser.
e por ser.
o que me faz vê-lo mais bonito.
intensidade que sempre cultivei.
carrego comigo as lembranças de uma vida inteira.
tenho medo de as perder.
no suspiro do tchau.
no gemido do adeus.
e vivo.
respiro vida.
respiro cada parte de mim, que luta pra ser.
pra ter.
pra crer.
que nada é longe demais.
ou feio demais.
ou demais.
nada.
é.
tudo está dentro das minhas mãos.
e delas saem borboletas.
que voam até você.
e contornam teus cabelos.