não saberia mesmo dizer porque passou aquela dor de antes. como um suspiro louco, eu subi na mesa da sala e comecei a berrar que não amava mais, enlouquecidamente. então as pessoas vieram e tinha uma porta no chão, uns objetos quebrados e meus olhos foram marejando. senti a dó com que me olhavam e pensei que talvez eu tivesse enlouquecido de fato, mas não tinha, era só uma catarse que eu fazia pra me libertar do amor e da dor que ele trazia, ninguém precisava entender, mas que me deixassem alí, aquela casa, aquela mesa, os objetos, era tudo meu e não precisava de ninguém pra arrombar portas por causa dos meus gritos. não queria chorar porque me olhavam com dó. droga! eu mesmo me olhava com dó todos os dias. foi só um suspiro louco de adeus ou foi só um louco dando adeus, com seu último suspiro.
terça-feira, 10 de novembro de 2009
-isso dentro dos teus olhos, que grita nos dias de chuva é tristeza?
-não, é só medo de ficar sozinho!
-pra mim, tristeza e ficar sozinho sempre foram a mesma coisa!
e eu cheguei a pensar que era mesmo a última pessoa e aquilo duraria todo o resto da minha vida.
mas a minha vida ou é muito curta ou aquela não era a última pessoa, porque aquilo que vivemos já não existe mais. e quando ela aparecer, vestida de paz, como é de costume, mostrarei o inferno que vivo.
é, faz tempo que não escrevo sobre você, menina. que me consumiu por tanto tempo, me prendendo a todos teus gestos e atos loucos, que eu nunca entendia. faz tempo que não te vejo sorrir, abrindo a porta do carro. que me levou a situações que nunca imaginei. faz tempo que não sinto teu abraço, que me envolvia tanto e tinha uma carga enorme de afeto. é menina, depois daquele dia ensandecido, faz muito tempo. e já não olho as coisas daquele jeito de antes, porque outra pessoa surgiu e, bom... não preciso mesmo falar sobre isso. sabe menina, faz tempo que você ficou no passado e eu não tinha nem percebido.
-me deseje boa sorte?
-isso me faz lembrar um filme!
-qual filme?
-boa sorte no abismo profundo!
-não conheço!
-esse não é o filme...
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
ou não vivo?
tinha chorado muito quando alguém me chamou de triste e acabei sorrindo, quando virei com o rosto cheio de orgulho, dizendo "triste é quem não sente nada, meu amigo". e eu sinto. sinto muito por tudo isso.
saudade deve ser isso que senti hoje, quando ela partia. parecia que tinham me roubado partes que eu nem sabia que tinha.
é óbvio que já tive mais audácia, já planejei coisas mais mirabolantes, inventei fórmulas secretas, imaginei até o que nunca existiu. é óbvio que acabei sozinha.
e não atingia nenhum pedaço da pele, não sangrava.
mas o barulho, afetava de longe a minha tranquilidade incontida.
o que resta é sempre o sarcasmo ou algumas atitudes bem mesquinhas, peço mais criatividade aos homens pra atribuir-lhes o poder de amar.
gosto de dizer que meu mundo é assim, inviolável, e fico a espera de alguém que goste de dizer "adoro desafios".
fiquei hesitando mesmo se deveria ir até lá e dizer que queria ter uma casa, filhos e cachorros latindo pelo quintal, enquanto ela jogava água nas flores e eu estaria sentada na cadeira da nossa pequena área, pensando "céus, como ela é linda"
vou fazendo desse jeito torto mesmo, porque é só assim que consigo. não me venha com tua retidão e displicência, apontar as falhas que vou deixando. preciso dessa ilusão de estar fazendo tudo perfeitamente como não combinamos. quer saber? deveriamos ter combinado alguma coisa, talvez uma maneira menos cruel de preencher lacunas, porque tô achando que sozinha, não consigo.
você compreende tudo isso? a necessidade que trago comigo de me doar tanto a você, que nem me conhece mais e não se interessa pelo meu riso. alias, não lembro quando foi a última vez que sorri, não desse jeito artificial que a gente faz quase todos os dias, mas sorri pra mim, verdadeiramente, porque até minhas veias sanguíneas saltavam de alegria. eu não me lembro e só indago se você compreende tudo isso, porque eu queria tirar os sapatos, puxar um cobertor até cobrir o rosto e pensar em como sou feliz. mas eu cubro minhas narinas e falta ar demais pra minha felicidade, me vem o choro e a falta do teu interesse pela minha vida. só trago essa necessidade surpreendente de querer sempre te trazer pra mim.
quando a primeira gota encostou na pele, pensei em correr e me esconder em qualquer canto ou buraco que me protegeria, mas depois vieram outras gotas e fui me acalmando, quando dei por mim, estava ensopado do meu maior medo e não tinha me escondido.
é que ele parecia tão afetuoso e cheio de qualidades, então foi ficando cada vez mais dificil não me interessar, fui percorrendo aqueles caminhos que ele mostrava e me entregando insone a todo amor que ele tinha. me culpo muito por ter dormido pouco e não visto os defeitos, a tempo te perceber que ele estava indo e eu ficando no caminho. vazio.
revirada.
então ela disse oi e foi um oi pra dentro de mim e de todas as fantasias que criei em sei lá, talvez 5 minutos... que pareciam 5 segundos, só porque eu queria ficar alí.
agora esse calçado branco terá uma história especial e incrivelmente engraçada.
não só pelo tombo, mas por todas as outras coisas que foram ditas e as coincidências que acabamos descobrindo.
Já dizia Caio "É preciso estar distraído e não esperando absolutamente nada. Não há nada a ser esperado. Nem desesperado."
e é fato, estavamos completamente distraídas.
e agora, olhando tudo com essa visão empolgante, depois da nossa conversa, me vem um sorriso bobo no rosto e penso naquilo que me disseste sobre ser iludida.
é por isso que mudamos de cidade, estado, de vida.
uma busca eterna pelo incompreensivel.
e no meio de tudo, em uma rua qualquer, a gente esbarra em algo tão novo e com tanta expectativa surgindo que nos resta deitar e sonhar, sem dormir.
"Num deserto de almas também desertas, uma alma especial reconhece de imediato a outra."
Leia com muita atenção!

"ateando estranhos a procura do coração-dentro, dente de leão, na tempestade ensandecida de flores de fogo batendo asas de chantilly, e não ver o fogo pegando e lambendo por dentro, acendendo claro e noctívago um corpo em sapatos vermelhos. Um corpo único, que serpeja claro como nas fontes, e te dá a mão, como inocência que atrai maldade, e te perdes para em seguida te achares aí, sentada, olhando os outros como quem vê equações."
-ah sim, sou super independente com meu emprego ótimo, apto e carro.
-hum... e não te preocupas com os pensamentos alheios?
-não, nem um pouco!
-não te fere o que dizem ao teu respeito?
-não me interessa o que eles pensam!
-o que fazes no meu blog então, 'ser independente'?
-ela poderia ser o amor da minha vida, é sério.
-e como você chegou a essa conclusão?
-não foi conclusão, foi só uma imaginação enquanto ela foi buscar o tênis.
-e quando ela voltou?
-sei lá, pensei "ela deve ser hetero"!
-mas ela veio falar contigo pelo orkut, não veio?
-sim!
-e se ela for o amor da tua vida?
-e se ela não for?
-bom, se ela não for, ao menos ela pode 'trazer' um pouco de amor pra sua vida, não?
sexta-feira, 6 de novembro de 2009
só me pediram pra focar em algo que eu queria e faz um tempo já que tô focada nessa montanha russa, que nem se movimenta mais.
ele veio com aquela história de perder pra ganhar e eu já tinha perdido tanto sem vangloriar-me por vitórias, que achei tudo banal demais. resolvi então que queria ganhar pra perder e perdi mesmo, mas senti o gosto de vitória tão perto de mim, que não liguei pro resto.
tinha decidido que jamais me entregaria outra vez em troca de tão pouco amor, e tinha me dado conta de uma decisão tomada tarde demais.
eu sou a menina das idéias, você pensa em ter um varal e lá estou eu com a cordinha enrolada no pescoço. e quando você pensa em pendurar as roupas, percebe que o armário está vazio já faz algum tempo.
desde a infância, meu sonho sempre foi construir uma casa de passarinhos.
e meu medo sempre foi descobrir que tenho asas e poderia me trancar naquela casa pra sempre.
o meu problema é pensar que nada é exatamente um problema e viver como se o mundo lá fora nunca me afetasse.
eu só não queria ser hipócrita por ter me mantido tão calada todo esse tempo. e agora me restou essa sombra do silêncio, de quem pensa mil coisas, jamais hipócritas e nunca diz nada.
foi nesse dia que percebi o quanto era dificil mudar, mas eu estava mesmo disposta e fui deixando algumas velhas manias pra tras, foi por pouco que quase não me deixei inteira.
e era natural saber, como a gente sempre sabe a hora certa de atravessar a rua.
mas eles ficaram parados, um de frente para o outro, se olhando, como se não soubessem.
e no fim, ninguém atravessou.
e ficamos tão próximas que eu podia sentir o cheiro dela, quando nos beijamos. foi aí que ouvimos um barulho no corredor e fui jogada pro outro lado. o lado daqueles que percebem o inicio de algo bem mais profundo.
algumas dessas coisas que eu tinha pra te dizer se negam a sair sem que com elas, venha o gosto de vodka.
e no fundo você sabe que tudo aquilo que eu não disse na hora, será escrito depois. você sabe que vou chegar em casa, aos berros de raiva, puxar a cadeira do computador e vomitar em palavras tudo que engoli, na tua frente. e no fundo, você sabe que depois disso, acenderei um cigarro e me sentirei livre de toda a culpa.
-como pode se definir alguém como peculiar?
-e pq não?
-sei lá, pq é estranho demais.
-e definir como estranho é comum, e agora?
ela jogou a perna em cima da minha perna e apontou pra janela, de onde algumas meninas acenavam. fingi que não via nada e quando ela foi embora, descobri mais um vicio. o de sonhar.
e quando ela disse que já estava indo, o silêncio tinha crescido tanto entre as paredes, que eu poderia ficar ali pelo resto da minha vida, sem ouvir mais nada.
e essa acaba por ser a maior dor que trago comigo. ver todos os erros lá de dentro, saber como muda-los e simplesmente continuar vivendo.
se foi.
achavam engraçado quando ela falava, porque tinha um arrastar de palavras diferente, uns diziam que era do leste e outros chutavam ser do sul, a verdade é que ninguém sabia de onde ela tinha vindo e nem porque estava exatamente alí, no meio daquela multidão toda.
sorria de uma forma bonita, não o belo físico. sim, ela tinha um rosto encantador, mas sorria com os olhos e eles pareciam deixar a alma dela sair e prender a atenção de quem olhava.
falava com as mãos e com o corpo, mas era tão discreta... ninguém entendia.
e não era um mistério, sempre foi muito simples.
chorou algumas vezes, eu vi.
e reclamou com uma voz pra dentro, de alguns erros que cometiam.
quando estava triste, caminhava por horas, pra alimentar os pensamentos sobre o que sentia.
sei que foi em um dia desses que ela acordou com sono e as coisas ruins do mundo vetaram seu sorriso.
saiu pra caminhar e observou todas as pessoas possíveis.
fingiu sentir a dor delas por alguns instantes.
fingiu ou sentiu.
não sei.
ela tinha esse dom, de sentir o que os outros sentiam e saber o que deveria ser feito.
dizia as coisas mais sábias e nem sempre era levada a sério.
sabia mesmo ser piadista, quando queria.
sofreu por vários amores que não deram certo, sofreu pela família.
mas o fato real é que foi nesse dia.
ela sentou em um banco e observava uma criança, correndo feliz com um cordão do casaco arrastando no chão e fechou os olhos, imaginou a criança caindo e se machucando.
viu sangue.
imprimiu as pálpebras com força e quando abriu, escutava um chorinho de dor.
e viu o menino no chão, com o rosto a sangrar.
achavam graça quando ela falava e se encantavam quando ela sorria, mas nesse dia o mundo ficou mais cinza.
alguns diziam que algo bom tinha se perdido.
eu só conseguia ver aquela menina doce, sentada no banco, parando de respirar.
eu só conseguia ver que ela partia.
e com ela, todo o dom de observar as pessoas e dizer coisas sábias.
e com ela, toda a luz e o choro que teve um dia.
e o mundo continuou sendo o mesmo quando alguns a imitavam, reclamando pra dentro, e indagando a Deus porque tinha sido assim.
eu e minha solidão.
tarde da noite é que resolvo arrumar os papéis, faço as melhores combinações de roupas, as caretas mais esquisitas frente ao espelho.
na madrugada é que minha pele fica mais clara e minha boca mais vermelha.
celular ao alcance das mãos é suicidio, telefonemas loucos que a gente dá.
tarde da noite é que dobro as roupas, penduro outras no cabideiro.
descubro meus erros de arrogância e me vejo sem ser mimada.
é nesses dias que me sinto sozinha e olho pra luz, deitada na cama, enquanto penso as maiores bobeiras que poderia.
abro minha playlist e escolho as mesmas músicas de sempre, minha trilha sonora da covardia.
sorteio uma frase em algum livro, como se ela fosse o pensamento ou a resposta-chave para o meu dia.
e tem horas que acho cedo demais pra que eu aprenda como é a vida, como é que ela nasce.
quando tenho tempo pra observar muito uma pessoa, penetro nela e me transformo na sua forma de ser.
já fui bandida, missionária, prostituta, criança, já fui um pouco de tudo.
e dá medo ser qualquer coisa e não ser nada do que deveria.
é visivel a tensão de estar sozinha?
parece engraçado quando a gente vive.
tarde da noite é que organizo meu outro dia, planejo toda a lista da metade das coisas que acabo fazendo.
fico só de camiseta no quarto.
parece engraçado isso?
é a vida.
limpo a escrivaninha, organizo os livros, tenho vontade de desenhar, mas não dá coragem, só vontade mesmo.
observo detalhes nas coisas, arrumo simétricamente tudo.
sempre fuço a mochila, confiro se tudo que preciso pro outro dia está lá dentro e tiro de lá alguns papéis que vão para o lixo.
tarde da noite, sinto saudades de casa, lembro dos meus irmãos e tento imaginar como eles estão.
coloco água nas flores, arrumo meus pares de meias, massageio meus pés.
faço tudo sozinha.
e tem noites que até gosto de ter esse tempo pra tudo isso.
mas algumas vezes, eu choro, em meio a um sorriso forçado pra janela.
como se alguém pudesse ver.
tarde da noite é que me encontro.
tarde da noite é que me dou conta...
da espera que vivo por você.
-deixei cair meu óculos de propósito, pra ela pegar e vir falar comigo.
-e o que ela disse?
-na verdade, perdi um óculos.
-então tem essa menina que anda me desafiando...
-que tipo de desafio?
-ah, ela finge que não tá nem aí pra mim, dá pra entender?
-dá!
-eu gosto de meninas com voz de ursinhos de pelúcia.
-e urso de pelúcia tem voz?
-se tivessem, seria como a tua!
-e que ursinho seria então?
-um urso panda, talvez.
-eu gosto de ursos.
quarta-feira, 4 de novembro de 2009
-o que você fez na mão?
-espanquei um cara no meio da rua, pq ele me chamou de gatinha!
-sério?
-sim... quebrei o nariz dele!
-sério mesmo???
-não, eu caí de uma escada!
rs...
...
fato!
[de 2 degraus]
-não sei pq 'a gente' acabou...
-mas não é preciso saber, só aceitar...
-não sei aceitar que acabou, ficou melhor pra você?
-nada ficou melhor depois do fim.
-você tem todas as pistas de como me conquistar, mas não tá fazendo nada direito!
-quem disse que quero te conquistar?
-e chorar muda alguma coisa?
-não to chorando!
-mas chorou, teu olho...
-oq tem meu olho?
-tá vermelho... de quem chorou!
-você sempre liga cores com reações?
-na maior parte do tempo...
[rs]
...
-então me diz uma coisa...
-oq?
-pq meu mundo tá cinza?
-que cabeça dura que você é!
-eu? tu que começou a falar tudo bem rápido e não me deu espaço pra responder!
-lógico!
-como assim "lógico"? tu acha isso certo?
-certo é não ter tempo pra perceber que to errada!
-mas se tu diz isso, é pq sabe, não é?! não faz sentido...
-a única coisa que eu sei é que te queria e te deixar falar, é assumir isso!
-mas tu acaba de assumir isso agora...
-sim, pq tá na hora de ir embora e não precisarei te ouvir e nem falar mais nada!
-e eu sou a cabeça dura da história?
-é!
-e pq se eu to escutando e aceitando tudo?!
-você não tá aceitando tudo!
-ai meu Deus, tu tá me confundindo deste jeito... o que eu não to aceitando?
-que eu gosto de você!
-tens razão, é mesmo a hora de ir embora!
domingo, 1 de novembro de 2009
-eu só não sei o que fazer ou pensar, ou como reagir. acho que nunca fiz isso antes.
-o quê? reagir?
-não! isso...
-ah sim, entendo...
-e te fere falar assim?
-não, não me fere...
-fico feliz que entenda!
-não fique!
-desculpa, eu só não sabia o que dizer... acho que a palavra não era feliz.
-é, talvez não!
...
-satisfação?
-como?
-essa é a palavra!
-não, você entendeu errado! eu não quero te decepcionar!
-você está fazendo aquilo!
-o quê?
-reagindo!
-e agora, o que eu faço com tudo isso?
-e tem que ser feito algo?
-não tem?
-acho que não!
-então o que vem agora?
-a espera!
-e como eu fico enquanto esperar?
-fazendo alguma coisa!
-mas eu não deveria ficar sem fazer nada?
-e isso já não é fazer?
-não, isso é esperar!
-então você está no caminho certo!
e parecia uma mão estendida, oferecendo alguma coisa que eu precisava.
e parecia alguma coisa que eu precisava, contida na palma da mão.
foi aí que ela disse "não quero mais".
e ela não precisava do que tinha nas mãos.
eu.
-quero provar tudo aquilo que eles usaram!
-e se eles usarem você?
-terei certeza de que já provei demais.
no caminho de volta pra casa, me armei contra toda a vontade que se fazia presente. resolvi que preferia morrer a ter aquilo. e acho que morri. é, eu morri mesmo!
-não to dizendo que pedi aquilo, mas é que as vezes meu corpo envia sinais que nem percebo.
e algumas pessoas os recebem.
-e o que você faz quando isso acontece?
-já disse, não percebo!
-então o que elas fazem?
-elas os recebem!
-e o que acontece então?
-coisas que não pedi!
-viu todas aquelas pessoas passando?
-não vi, onde?
-lá onde eu estava!
-não, eu só via você!
-pq?
-pq com você nunca precisava ver mais ninguém ou mais nada!
-tu foi a pessoa que eu namorei, que mais me fez crescer, que me amadureceu mesmo por dentro. tu sabe que conquista qualquer pessoa com esse teu jeito. e esse teu sorriso, ele ilumina mesmo qualquer lugar!
-e porquê você não me faz sorrir?
-não é assim, meu bem. o que a gente tinha, não existe mais.
-e o que a gente teve mesmo?
-amor.
-é, amor.
-te passei meu telefone, não passei?
-passou!
-e porque você não ligou?
-pra quê?
-sei lá, pra saber se estava tudo bem, pra dizer que sentiu saudade ou vontade, por ligar!
-eu não ligo!
-percebi.
-não!! eu não ligo pra você!
-é, eu percebi, fiquei esses dias todos esperando o telefone tocar.
-você não entende duplo sentido não é mesmo?!
-é, eu não entendo nada!
e parece que eu estou lá embaixo, no começo, até tudo desabar.
até que alguém diz "essa é a vida".
e vejo que nem existia nada que pudesse mesmo despencar.
enlaçar.
ainda é cedo e ela chora de dor.
tateia a mesa com a ponta dos dedos, acaba batendo em um objeto e outro.
e imprime os olhos com força, num abrir de vontade.
pra ver mais, ou simplesmente, pra ver.
qualquer coisa que não seja uma luz no fim do quarto escuro.
encontra uma caneta e tem vontade de escrever, mas é vontade, só vontade.
encontra algo que faz barulho e presta atenção no leve barulho, como se o som fosse algo novo na própria vida.
caminha em direção a luz, para e volta.
não domina os passos.
não sabe direito pra onde ir.
tem medo de abrir os braços.
pra se encontrar, dentro daquilo alí.
continua tateando até me encontrar.
passa a mão nos meus cabelos, afaga.
contorna minha boca com o dedo, desliza.
fecha meus olhos lentamente com o indicador, adormece.
dá um passo para tras.
ainda é cedo e ela corre de dor.
bate na parede, coloca as mãos sob os olhos, cansados.
se afasta, encosta, vai abaixando e chorando.
debruçando os braços no joelho.
desespero.
ela não sente mais.
tenta gritar, tenta dizer algo e não sai.
respira fundo, geme um pouco.
levanta e vai.
caminha até mim outra vez e parece me enxergar.
toca meus olhos com os olhos.
com o olhar.
toca minha boca com os lábios.
beijar.
toca meu corpo com o corpo.
encostar.
se afasta pela última vez.
e agora eu que não vejo mais.
resta uma luz forte no canto do quarto.
cambaleio, tateio alguns objetos.
tentando encontrar.
surge uma caneta, um som.
tudo novo demais.
caio, em um suspiro de derrota.
me ouço respirar.
ainda é cedo pra desistir.
mas não posso mais continuar.
sexta-feira, 30 de outubro de 2009
-Não dorme!
-oi?
-eu disse não dorme.
-mas eu não tô dormindo.
-quero que você saiba o que vem agora!
-e o que é?
-o próximo nível!
-pra quê?
-porquê eu te quero dentro dele.
-e se eu já estiver dentro dele?
-Não está!
e ninguém vai penetrar nesse abismo, atrás da faixa amarela de impedido, se isso ficar entre nós.
e de fato, isso vai ficar.
deslizar...
é tão coberta de medo que vira nada.
é tão coberta de nada que parece medo.
é tão medo que nada encobre mais.
sempre tem!
e sempre tem aquela parte onde ela se olha no espelho pra pensar.
e sempre tem aquela parte que ela não pensa pra se olhar.
repense.
e você nunca teve 10 ou 15 minutos como aqueles.
talvez você não tenha uma vida toda.
mas ela estava ou ainda está lá.
desafio!
podes imaginar?
"tive"
terça-feira, 27 de outubro de 2009
C.F
"André enlouqueceu ontem à tarde. Devo dizer que também acho um pouco arrogante de minha parte dizer isso assim – enlouqueceu -, como se estivesse perfeitamente seguro não só da minha sanidade mas também da capacidade de julgar a sanidade alheia. Como dizer então? Talvez: André começou a comportar-se de maneira estranha, por exemplo? ou : André estava um tanto desorganizado; ou ainda: André parecia muito necessitado de repouso. Seja como for, depois de algum tempo, e aos poucos, tão levemente que apenas ontem à tarde resolvi tomar essa providência, André – desculpem a minha audácia ou arrogância ou empáfia ou como queiram chamá-la, enfim: André enlouqueceu completamente. Pensei em levá-lo para uma clínica, lembrava vagamente de ter visto no cinema ou na televisão um lugar cheio de verde e pessoas muito calmas, distantes e um pouco pálidas, com o olhar fora do mundo, lendo ou recortando figurinhas, cercadas por enfermeiras simpáticas, prestativas. Achei que André seria feliz lá. E devo dizer ainda que gostaria de vê-lo feliz, apesar de tudo o que me fez sofrer nos últimos tempos. Mas bastou uma olhada no talão de cheques para concluir que não seria possível. Então optei pelo hospício. Sei, parece um pouco duro dizer isso assim, desta maneira tão seca: então-optei-pelo-hospício. As palavras são muito traiçoeiras. Para dizer a verdade, não optei propriamente. Apenas:
1º) eu tinha pouquíssimo dinheiro e André menos ainda, isto é, nada, pois deixara de trabalhar desde que as borboletas nasceram em seus cabelos;
2º) uma clínica custa dinheiro e um hospício é de graça.
Além disso, esses lugares como aquele que vi no cinema ou na televisão ficam muito retirados – na Suíça, acho -, e eu não poderia visitá-lo com tanta freqüência como gostaria. O hospício fica aqui perto. Então, depois desses esclarecimentos, repito: optei pelo hospício. André não opôs resistência nenhuma. Às vezes chego a pensar que ele sempre soube que, de uma forma ou outra, fatalmente acabaria assim. Portanto, coloquei-o num táxi, depois desembarcamos, atravessamos o pátio e, na portaria, o médico de plantão nem sequer fez muitas perguntas. Apenas nome, endereço, idade, se já tinha estado lá antes essas coisas – ele não dizia nada e eu precisei ir respondendo, como se o louco fosse eu e não ele. Ah: nem por um minuto o médico duvidou da minha palavra. Pensei até que, se André não estivesse realmente louco e eu dissesse que sim, bastaria isso para que ele ficasse por lá durante muito tempo. Mas a cara dele não enganava ninguém, sem se mover, sem dizer nada, aqueles olhos parados, o cabelo todo em desordem. Quando dois enfermeiros iam levá-lo para dentro eu quis dizer alguma coisa, mas não consegui. Ele ficou ali na minha frente, me olhando. Não me olhando propriamente, havia muito tempo que não olhava mais para nada, seus olhos pareciam voltados para dentro, ou então era como se transpassassem as pessoas ou objetos para ver, lá no fundo deles, uma coisa que nem eles próprios sabiam de si mesmos. Eu me sentia mal com esse olhar, porque era um olhar muito… muito sábio, para ser franco. Completamente insano, mas extremamente sábio. E não é nada agradável ter em cima de você, o tempo todo, na sua própria casa, um olhar desses, assim trans-in-lúcido. Mas de repente seus olhos pareceram piscar, mas não devem ter piscado – devo esclarecer que, para mim, piscar é uma espécie de vírgula que os olhos fazem quando querem mudar de assunto. Sem piscar, então, os olhos dele piscaram por um momento e voltaram daquele mundo para onde André havia se mudado sem deixar endereço. E me olharam os olhos dele. Não para uma coisa minha que nem eu mesmo via, através de mim, mas para mim mesmo fisicamente, quero dizer: para este par de órgãos gelatinosos situados entre a testa e o nariz, meus olhos, para ser mais objetivo. André olhou bem nos meus olhos, como havia muito não fazia, e fiquei surpreso e tive vontade de dizer ao médico de plantão que era tudo um engano, que André estava muito bem, pois se até me olhava nos olhos como se me visse, pois se recuperara aquela expressão atenta e quase amiga do André que eu conhecia e que morava comigo, como se me compreendesse e tivesse qualquer coisa assim como que uma vontade de que tudo desse certo para mim, sem nenhuma mágoa de que eu o tivesse levado para lá. Como se me perdoasse, porque a culpa não era minha, que estava lúcido, nem tampouco dele, que enlouquecera. Quis levá-lo de volta comigo para casa, despi-lo e lambê-lo como fazia antigamente, mas havia aquele monte de papéis assinados e cheios de x nos quadradinhos onde estava escrito solteiro, masculino, branco, coisas assim, os enfermeiros esperando ali do lado, já meio impacientes . tudo isso me passou pela cabeça enquanto o olhar de André pousava sobre mim e sua voz dizia: * – Só se pode encher um vaso até a borda. Nem uma gota a mais. Então vim embora. Os enfermeiros seguraram seus braços e o levaram para dentro. Havia alguns outros loucos espiando pela janela. Eram feios, sujos, alguns desdentados, as roupas listradinhas, encardidas, fedendo. Pensei que o médico ia colocar a mão no meu ombro para depois dizer coragem, meu velho, como tenho visto no cinema. Mas ele não fez nada disso. Baixou a cabeça sobre o monte de papéis como se eu não estivesse mais ali, dei meia volta sem dizer nada do que eu queria dizer, que cuidassem bem dele, não o deixassem subir no telhado, recortar figurinhas de papel o dia inteiro, ou retirar borboletas do meio dos cabelos como costumava fazer. Atravessei devagar o pátio cheio de loucos tristes, hesitei no portão de ferro, depois resolvi voltar a pé para casa. Era de tardezinha, estava horrível na rua, com todos aqueles automóveis, aquelas pessoas desvairadas, as calçadas cheias de merda e lixo, eu me sentia mal e muito culpado. Quis conversar com alguém, mas me afastara tanto de todos depois que André enlouquecera, e aquele olhar dele estava me rasgando por dentro, eu tinha a impressão de que o meu próprio olhar tinha se tornado como o dele, e de repente já não era mais uma impressão. Quando percebi, estava olhando para as pessoas como se soubesse alguma coisa delas que nem elas mesmas sabiam. Ou então como se as transpassasse. Eram bichos brancos e sujos. Quando as transpassava, via o que tinha sido antes delas, e o que tinha sido antes delas era uma coisa sem cor nem forma, eu podia deixar meus olhos descansarem lá porque eles não se preocupavam em dar nome ou cor ou jeito a nenhuma coisa, era um branco liso e calmo. Mas esse branco liso e calmo me assustava e, quando tentava voltar atrás, começava a ver nas pessoas o que elas não sabiam de si mesmas, e isso era ainda mais terrível. O que elas não sabiam de si era tão assustador que me sentia como se tivesse violado uma sepultura fechada havia vários séculos. A maldição cairia sobre mim: ninguém me perdoaria jamais se soubesse que eu ousara. Mas alguma coisa em mim era mais forte que eu, e não conseguia evitar de ver e sentir atrás e além dos sujos bichos brancos, então soube que todos eles na rua e na cidade e no país e no mundo inteiro sabiam que eu estava vendo exatamente daquela maneira, e de repente já não era mais possível fingir nem fugir nem pedir perdão ou tentar voltar ao olhar anterior . e tive certeza de que eles queriam vingança, e no momento em que tive certeza disso, comecei a caminhar mais depressa para escapar, e Deus, Deus estava do meu lado: na esquina havia um ponto de táxi, subi num, mandei tocar em frente, me joguei contra o banco, fechei os olhos, respirei fundo, enxuguei na camisa as palmas visguentas das mãos. Depois abri os olhos para observar o motorista (prudentemente, é claro). Ele me vigiava pelo espelho retrovisor. Quando percebeu que eu percebia, desviou os olhos e ligou o rádio. No rádio, uma voz disse assim: Senhoras e senhores, são seis horas da tarde. Apertem os cintos de segurança e preparem suas mentes para a decolagem. Partiremos em breve para uma longa viagem sem volta. Atenção, vamos começar a contagem regressiva: dez-nove-oito-sete-seis-cinco… Antes que dissesse quatro, soube que o motorista era um deles. Mandei-o parar, paguei e desci. Não sei como, mas estava justamente em frente à minha casa. Entrei, acendi a luz da sala, sentei no sofá. A casa quieta sem André. Mesmo com ele ali dentro, nos últimos tempos a casa era sempre quieta: permanecia em seu quarto, recortando figurinhas de papel ou encostado na parede, os olhos olhando daquele jeito, ou então em frente ao espelho, procurando as borboletas que nasciam entre seus cabelos. Primeiro remexia neles, afastava as mechas, depois localizava a borboleta, exatamente como um piolho. Num gesto delicado; apanhava-a pelas asas, entre o polegar e o indicador, e jogava-a pela janela. Essa era das azuis . costumava dizer, ou essa era das amarelas ou qualquer outra cor. Em seguida saía para o telhado e ficava repetindo uma porção de coisas que eu não entendia. De vez em quando aparecia uma borboleta negra. Então tinha violentas crises, assustava-se, chorava, quebrava coisas, acusava-me. Foi na última borboleta negra que resolvi levá-lo para o lugar verde, e mais tarde, para o hospício mesmo. Ele quebrou todos os móveis do quarto, depois tentou morder-me, dizendo que a culpa era minha, que era eu quem colocava as borboletas negras em seus cabelos, enquanto dormia. Não era verdade. Enquanto dormia, eu às vezes me aproximava para observá-lo. Gostava de vê-lo assim, esquecido, os pêlos claros do peito subindo e descendo sobre o coração. Era quase como o André que eu conhecera antes, aquele que mordia meu pescoço com fúria nas noites suadas de antigamente. Uma vez cheguei a passar os dedos nos seus cabelos. Ele despertou bruscamente e me olhou horrorizado, segurou meu pulso com força e disse que agora eu não poderia fingir que não era eu, que tinha me surpreendido no momento exato da traição. Era assim, havia muito tempo, eu estava fatigado e não compreendia mais. Mas agora a casa estava sem André. Fui até o banheiro atulhado de roupas sujas, a torneira pingando, a cozinha com a pia transbordando pratos e panelas de muitas semanas, a janela de cortinas empoeiradas e o cheiro adocicado do lixo pelos cantos, depois resolvi tomar coragem e ir até o quarto dele. André não estava lá, claro. Apenas as revistas espalhadas pelo chão, a tesoura, as figurinhas entre os cacos dos móveis quebrados. Apanhei a tesoura e comecei a recortar algumas figurinhas. Inventava histórias enquanto recortava, dava-lhes profissões, passados, presentes, futuros era mais difícil, mas dava-lhes também dores e alguns sonhos. Foi então que senti qualquer coisa como uma comichão entre os cabelos. Aproximei-me do espelho, procurei. Era uma borboleta. Das azuis, verifiquei com alegria. Segurei-a entre o polegar e o indicador e soltei-a pela janela. Esvoaçou por alguns segundos, numa hesitação perfeitamente natural, já que nunca antes em sua vida estivera sobre um telhado. Quando percebi isso, subi na janela e alcancei as telhas para aconselhá-la: – É assim mesmo . eu disse. . O mundo fora de minha cabeça tem janelas, telhados, nuvens e aqueles bichos brancos lá embaixo. Sobre eles, não se detenha demasiado, pois correrá o risco de transpassá-los com o olhar ou ver neles o que eles próprios não vêem, e isso seria tão perigoso para ti quanto para mim violar sepulcros seculares, mas, sendo uma borboleta, não será muito difícil evitá-lo: bastará esvoaçar sobre as cabeças, nunca pousar nelas, pois pousando correrás o risco de ser novamente envolvida pelos cabelos e reabsorvida pelos cérebros pantanosos e, se isso for inevitável, por descuido ou aventura, não deverás te torturar demasiado, de nada adiantaria, procura acalmar-te e deslizar pra dentro dos tais cérebros o mais suavemente possível, para não seres triturada pelas arestas dos pensamentos, e tudo é natural, basta não teres medos excessivos. trata-se apenas de preservar o azul das tuas asas. Pareceu tranqüilizada com meus conselhos, tomou impulso e partiu em direção ao crepúsculo. Quando me preparava para dar volta e entrar novamente no quarto, percebi que os vizinhos me observavam. Não dei importância a isso, voltei às figurinhas. E novamente começou a acontecer a mesma coisa: algo como borbulhar, o espelho, a borboleta (essa era das roxas), depois a janela, o telhado, os conselhos. E os vizinhos e as figurinhas outra vez. Assim durante muito tempo. Já não era mais de tardezinha quando apareceu a primeira borboleta negra. No mesmo momento em que meu indicador e polegar tocaram suas asinhas viscosas, meu estômago contraiu-se violentamente, gritei e quebrei o objeto mais próximo. Não sei exatamente o que, sei apenas do ruído de cacos que fez, o que me deixa supor que se tratasse de um vaso de louça ou algo assim (creio que foi nesse momento que lembrei daquele som das noites de antes: as franjas do xale na parede caído sobre as cordas do violão de André quando rolávamos da cama para o chão). Pretendia quebrar mais coisas, gritar ainda mais alto, chorar também. Se conseguisse, porque tinha nojo e nunca mais . quando ouvi um rumor de passos no corredor e diversas pessoas invadiram o quarto. Acho que meu primeiro olhar para elas foi aquele que tive antigamente, cheguei a reconhecer alguns dos vizinhos que nos observavam sempre, o homem do bar da esquina, o jardineiro da casa em frente, o motorista do táxi, o síndico do edifício ao lado, a puta do chalé branco. Mas em seguida tudo se alargou e não consegui evitar de vê-las daqueles outros jeitos, embora não quisesse, e meu jeito de evitar isso era fechar os olhos, mas quando fechava os olhos ficava olhando pra dentro do meu próprio cérebro . e só encontrava nele uma infinidade de borboletas negras agitando nervosamente as asinhas pegajosas, atropelando-se para brotar logo entre os cabelos. Lutei por algum tempo. Tinha alguma esperança, embora fossem muitas mãos a segurar-me. Ao amanhecer do dia de hoje fui dominado. Chamaram um táxi e trouxeram-me para cá. Antes de entrar no táxi tentei sugerir, quem sabe aquele lugar de muito verde, pessoas amáveis e prestativas, todas distantes, um tanto pálidas, alguns lendo livros, outros cortando figurinhas. Mas eu sabia que eles não admitiriam: quem havia visto o que eu via não merecia perdão. Além disso, eu tinha desaprendido completamente a sua linguagem, a linguagem que também tive antes, e, embora com algum esforço conseguisse talvez recuperá-la, não valia a pena, era tão mentirosa, tão cheia de equívocos, cada palavra querendo dizer várias coisas em várias outras dimensões. Eu agora já não conseguia permanecer em apenas uma dimensão, como eles, cada palavra se alargava e invadia tantos e tantos reinos que, para não me perder, preferia ficar calado, atento apenas ao borbulhar das borboletas dentro do meu cérebro. Quando foram embora, depois de preencherem uma porção de papéis, olhei para um deles daquele mesmo jeito que André me olhara. E disse-lhe: – Só se pode encher um vaso até a borda. Nem uma gota a mais. Ele pareceu entender. Vi como se perturbava e tentava dizer, sem conseguir, alguma coisa para o médico de plantão, observei que baixava os olhos sobre o monte de papéis e a maneira indecisa com que atravessava o pátio, para depois deter-se ao portão de ferro, olhando para os lados, depois se foi, a pé. Em seguida os homens trouxeram-me e enfiaram uma agulha no meu braço. Tentei reagir, mas eram muito fortes. Um deles ficou de joelhos no meu peito enquanto o outro enfiava a agulha na veia. Afundei num fundo poço acolchoado de branco. Quando acordei, André me olhava dum jeito totalmente novo. Quase como o jeito antigo, mas muito mais intenso e calmo. Como se agora partilhássemos o mesmo reino. André sorriu. Depois estendeu a mão direita em direção aos meus cabelos, uniu o polegar ao indicador e, gentilmente, apanhou uma borboleta. Era das verdes. Depois baixou a cabeça, eu estendi os dedos para seus cabelos e apanhei outra borboleta. Era das amarelas. Como não havia telhados próximos, esvoaçavam pelo pátio enquanto falávamos juntos aquelas mesmas coisas, eu para as borboletas dele, ele para as minhas. Ficamos assim por muito tempo até que, sem querer, apanhei uma das negras e começamos a brigar. Mordi-o muitas vezes, tirando sangue da carne, enquanto ele cravava as unhas no meu rosto. Então vieram os homens, quatro desta vez. Dois deles puseram os joelhos sobre nossos peitos, enquanto os outros dois enfiavam agulhas em nossas veias. Antes de cairmos outra vez no poço acolchoado de branco, ainda conseguimos sorrir um para o outro, estender os dedos para nossos cabelos e, com os indicadores e polegares unidos, ao mesmo tempo, com muito cuidado, apanhar cada um uma borboleta. Essa era tão vermelha que parecia sangrar."
ok?
tinha bebido, resolvi mandar mensagem.
nem sei se me arrependi.
mas ela me provoca.
e estava com um cheiro bom.
com um sorriso lindo.
e o sotaque que sinto falta de ouvir.
mangas de fora.
alargadores.
e diz coisas que me incomodam.
mas me joga no alto.
e faz um certo ar arrogante.
que acho medíocre.
me entreguei.
olhei outra vez aquele rosto, que já aboli outro dia.
e me teve outra vez.
eu não sei.
qual caminho ela deveria seguir e dou pistas que já usei.
deixo dicas diretas do que deveria ser feito.
e ela nunca obedece.
gosta do contrário, inverso proporcional de me perder.
afasta meus planos, que nem faço e porquê?
ela me quer e faz tudo errado pra me ter.
só consigo pisotear os sonhos.
e ligar algumas vezes, porque confio no que vou dizer.
e tenho a certeza de fazer o certo.
me agrada e satisfaz, ferir você.
tem tudo que não gosto.
e gosto de algo entre quatro paredes.
não me entrego assim, nego até o final.
que ela precisa de mim, mas eu preciso muito mais dela.
e gosto daquele maldito beijo.
e tenho vontade de gritar, esquecer.
mas me prendi ao jeito que ela tem de me definir.
sem me conhecer.
será que eu a conheço?
a menina que escreve e desenha paredes.
provoca raiva.
e não aceito que o ódio e a vontade de nunca mais ver é resultado de gostar demais.
sumo.
fujo.
me escondo.
e ela sempre sabe onde me encontrar.
é uma criança ainda, me deixando mal por aprender.
detesto teu cigarro.
adoro teu gosto e o beijo que sai da tua boca.
gosto mesmo de sentir tuas mãos em mim.
e tenho vontade de dormir do teu lado.
nego, viro as costas.
mas acabo pensando e me interessa tudo que você vai escrever.
te acho imbecil falando sobre isso.
lendo isso e vendo como você tenta me conhecer.
me sinto imbecil, por não querer ver.
me sinto superior fugindo de você.
eu também.
vi sim, eu vi!
andando foi que eu vi, o olhar dela no meio da rua.
um mistério.
minha mãe reclamando dos meus tênis sujos.
em Outubro, chegando Novembro.
eu querendo tocar o impossível.
não podia esquecer de regar as plantas.
tinha que comprar pão.
e só via o olhar dela no meio da rua, me olhando.
descobri.
as cadeiras não poderiam ficar na garagem.
e o lugar do cadeado era no portão.
os papéis estavam caindo da estante.
o suco congelando no refrigerador.
e ela passando, na rua.
me olhou.
o mp3 ficou sem som, fim de bateria.
esqueci a mochila no banco.
encerrei a conta e ela sentou.
pensei em quando meu pai surgiu.
e eram tantas coisas pra lembrar.
mas eu só lembrava de olhar pra ela.
no mês que vem, talvez vire amor.
nada.
quebrado.
suponho que nos detestamos agora.
disfarçadamente.
aqui na minha mente, ouço vozes.
ouço palavras.
escrevo músicas.
suponho que nada disso aconteceu.
maldito relógio.
as coisas foram indo
meu primo acabou entrando para o exército
tomei mais uma dose
olhei a bolsa
precisei até de uma dança
pra provar pra mim e pro mundo
que tudo era pequeno e adiante
teu beijo
que me abandonou
e lembrei de tudo que havia ficado pra trás.
saudade de casa.
perdi a época que meu irmão aprendia a caminhar
esqueci as entonações das vozes.
tudo seguiu meio que quebrado
distante daqueles que eu queria fora.
aqueles que constituíam minha parte.
mais protegida.
minha mãe me contou orações e eu nem sabia que ela era religiosa.
mas tudo está bem.
bem.
bem.
até eu me dar conta de ter perdido.
minha irmã já não usa roupa de bichinhos.
e meu pai não sei onde está.
mas tudo está bem.
estou voltando.
abram o portão.
fui pra longe crescer e quebrei uma parte de mim.
que só recupero em vocês.
eu aprendi a amar.
e dói.
dói.
dói.
pra parecer que está tudo bem.
que estou melhor.
não organizo a agenda como antes.
não sei mais os aniversários.
e acho tudo muito distante ou longo.
toda hora parece sempre a mesma hora.
11:11
Repulsa.
te encontre neste texto, onde recordo tua boca passando na minha
e tuas pernas nos meus ombros.
sapato vermelho.
te leia aqui, onde escuto teu gemido alto e minhas costas batendo na porta.
sinto gosto de zíper que não se abre, na minha boca.
e provoco, a tua vontade mais particular.
de sentir minha língua.
contorcendo o corpo, nas minhas mãos.
que contornam e apertam, todos os lugares.
e os dentes na tua barriga, mordendo.
prensando, contato, uma dentro da outra e a parede.
jogando, batendo, se empurrando para todos os lados.
repulsa?
é nada mais que a tua vontade.
de me ter!
anagrama com a palavra repulsa:
PULSEAR
{V.t. Tomar o pulso a, sentir, observar.}
segunda-feira, 26 de outubro de 2009
tá onde?
-estava engraçado!
-o quê?
-eu vendo você me procurar, passando pra lá e pra cá!
-eu não estava te procurando!
-eu só te encontrei.
quem?
eu queria saber quem é você no espelho que sempre reclama do meu cabelo curto.
que me pede mais sono, pra diminuir as olheiras.
fala dos olhos inchados de alergia e me lembra sempre de não dormir com ursos.
quem é você que me persegue e ta sempre junto, no mesmo caminho.
que faz cara feia quando acendo um cigarro e acabo tossindo.
me deixa com medo do escuro.
me faz prestar atenção nas vozes que quebram o silêncio noturno.
eu queria saber quem é você que sempre sabe meus endereços.
liga durante meu sono e quando atendo, desliga.
respira todo dia na minha nuca.
queria saber quem é você que compra o pão de manhã cedo e sempre deixa a mesa arrumada.
e sabe a quantidade do meu açucar.
meu tique terrivel de arrumar simetricamente os papeis e objetos.
e ta mesmo tão perto que nunca te alcanço.
queria saber quem é você que me manda cartas sem remetente.
escolhe sempre a melhor música.
escreve os melhores poemas e os solta no vento, como um costume.
queria saber quem é você que liga o aquecedor, me cobre e acaricia meu rosto.
diz as palavras mais doces e me embala dormindo.
deixa bilhetes, pedindo pra comprar água e não esquecer de tirar o lixo.
deixa a pasta de dentes aberta na pia todos as manhãs.
briga com minha auto-depreciação e meu jeito melindroso.
queria saber quem é você que me julga tão incontido.
esquece a toalha molhada em cima da cama e a janela aberta pra chuva.
queria saber quem é você que conhece todos os meus defeitos.
anda tão escondido.
que sorri discreto pra vida e se levanta para o mundo.
que enxerga tão bem a minha luz.
e tem o abraço onde posso me perder.
a boca onde contorno os lábios.
eu queria mesmo saber quem é você que nunca se atrasa, sabe as datas.
compra leite de soja no mercado 24 horas.
arruma meus travesseiros jogados.
e cuida dos cactos.
queria saber quem é você que lê meus livros.
e sabe minhas frases batidas.
ri das minhas caretas e sempre me olha.
queria saber quem é você que rouba meus desenhos.
e me ama.
e que eu amo também.
queria saber quem é você que eu tanto procuro.
sei.
paro nas praças e leio jornais, esperando o tempo passar.contemplo todas as cores do mundo.
tenho outra forma de viver.
percebo os detalhes despercebidos que quase ninguém vê.
minha falta de perspectiva incomoda você.
mas faço mil planos.
muitos que já alcancei.
é medo.
eu sei.
abro o leque que te afasta e vejo todos os erros.
não ignoro as coisas boas que me trazem.
não me viro para os conselhos.
eu sei.
há muito ainda pra aprender.
com você.
que foge todas as noites e nunca acorda ao meu lado.
é lindo meu sorriso ao amanhecer.
e é medo.
de se perder e depois me perder.
é não arriscar uns anos loucos ou a eternidade.
felizes.
umas descobertas que pareciam tão impossiveis.
paro nas vitrines e já li tantos livros que vejo.
falo de tantos filmes e músicas.
me doou à você.
vejo o céu como a última vez.
não por ser.
e por ser.
o que me faz vê-lo mais bonito.
intensidade que sempre cultivei.
carrego comigo as lembranças de uma vida inteira.
tenho medo de as perder.
no suspiro do tchau.
no gemido do adeus.
e vivo.
respiro vida.
respiro cada parte de mim, que luta pra ser.
pra ter.
pra crer.
que nada é longe demais.
ou feio demais.
ou demais.
nada.
é.
tudo está dentro das minhas mãos.
e delas saem borboletas.
que voam até você.
e contornam teus cabelos.
e levantam.
arrastam.
afastam.
todos os pesos.
levitam teu ser.
e a vida é só isso de respirar.
é medo.
puro medo de ter.
é.
e eu sei.
Todos vocês!
todos eles pensavam a mesma coisa.
em algum momento eu não respiraria mais.
e lutaram por uma vida melhor.
pra mim.
me mudaram os habitos.
entendo que me protegiam e tinham medo.
todos eles comentavam em silêncio, escondido.
que uma hora ou outra era o fim.
e choravam.
como choravam.
me cuidaram.
e os olhos brilhavam de dó, as palavras saiam com pena.
e tomavam as soluções mais drasticas.
eram radicais.
me faziam tanto.
ei vocês...
todos vocês...
eu não sei explicar ainda o porquê, não sei falar sobre o que aconteceu.
mas precisei.
fugir dos cuidados.
ei vocês, que eu amo.
foi fugindo que
sábado, 10 de outubro de 2009

de perto é mais facil observar as manias, é mais fácil sentir o coração bater.
de perto o perto não soa mais distante.
e parece loucura.
e trago em mim o abraço.
que guardei pra ti.
distante, eu já sentia perto.
e perto, te sinto mais.
voar...
Se eu pudesse preencher essa folha escrevendo, faria. Desejaria que ela se dobrasse sozinha, virasse um barco de papel, um avião e chegasse até você, em algum dia chuvoso, em que estaria em casa, matando o tédio com uma dose amarga e fria de café. Todos os telefones estariam desligados e todos os amigos cansados para ir em algum lugar... E você, abriria a janela e suplicaria pelo sol. Que não viria, então em algum do Sul um avião pousaria no parapeito, pra tua surpresa. E seria uma folha perdida, rabiscada de desenhos e texto de quem te amou. E se eu pudesse preencher essa folha com um pouco do sentimento que em mim sobrou, criaria o vento pra mandar a você. Se eu pudesse completar todos os espaços em branco, desenharia, escreveria doces poemas pra te embalar. Se você pudesse entrar nesse papel, nos desenharia, juntas, perdidas no Nankin construindo um mundo pra sonhar. Se eu pudesse te fazer entender tudo que trago aqui dentro, os planos, os erros, os medos, segredos que poderia te contar, seríamos ligadas eternamente como crianças no mundo da fantasia... E dançaríamos meio a palhaços de circo, cactos, pessoas... Caminharíamos pelas noites escuras, sorrindo, gritando, pulando, na nossa felicidade amorosa. Se eu pudesse tocar teu coração, como quem toca um brinquedo frágil, com medo de brincar, te encantaria. É menina, abre o mundo da fantasia e se joga pra sonhar, sem receio. Deixa teu lado bobo me visitar. Deixa tua euforia se misturar a minha. Joga-te do meu lado pra criar. Essa arte louca que é nossa vida. Essa falta de barreira pra rabiscar. Deixa a tristeza do lado de fora, joga o choro pra escanteio. Deixa eu te guiar. Segura minha mão para sempre, permita-se AMAR! Se eu pudesse preencher, cada campo e espaço, te roubaria, desenharia um papel, riscaria as paredes, gritaria para o mundo todo ouvir que somos livres e alegres. E somos felizes? E não temos vergonha, só queremos é falar. Mas viu, abre esse avião da janela, olha os riscos que formam o desenho. Vem comigo, VOAR...
quarta-feira, 30 de setembro de 2009
Carta IX.

Escrevo como quem brinca com palavras, a sutileza do medo infantil em dias de tempestade e pânico.
E pergunto ao mundo sobre a virgindade dos homens, sobres as cartas de julgamento.
Não privo sonhos.
Escrevo para entender as essências alheias, os olhares de sono.
Compreendo a loucura circense, as meninas cataplofts e seus tombos.
Ofereço a amizade àqueles que concluem os poucos números.
Sou ácida e falo alto com alguns insones.
Não me humilho, cedo.
Todo mundo cede!
Até certo ponto.
A linha do avesso, de regredir ao envelhecer e se deitar no colo.
Escrevo pra buscar utopia, pra atingir corações e descanso...
Minha mão sobre rostos confusos, meu copo sobre mesas de improviso, meu corpo sobre a alienação.
Escrevo porque não sinto vergonha.
E sinto!
Muitas outras coisas pelas quais me conheço.
Escrevo sobre Amor.
Daquilo que me aquece quando não falta nada e todo fim surge como recomeço.
Não me imponho limites.
Sonho!
Peles claras de serenidade, perdidas em vontades subjetivas.
Pessoas que tentam me alcançar, apaixonadas só pela minha vida.
Minha retina confusa de resolver e escolher sempre o melhor caminho.
Sozinha!
Apaixonada ou em equilíbrio.
Escrevo porque a caneta é mais parte de mim que meus próprios ossos.
Meu sustento, sem juntas, mais verdadeiro.
Escrevo porque sou prepotente e sinto que sempre te toca.
Compreendo não só as minhas, mas também as tuas conclusões.
Que doem.
Te abalo com meu conhecer sobre tuas fraquezas.
Tantas!
E te conheço, te domino, como quem consegue manipular os próprios sonhos e não acorda enquanto a proposta não for finalizada.
Escrevo porque tenho nas mãos tudo que voou em ti, tudo que foi reprimido.
Construo aquilo que te destroi.
Escrevo pra te ver sorrir, após chorar percebendo que no mundo inteiro, quem mais te compreende é aquela que não te conquistou.
Escrevo porque é belo saber que tu me fugistes das mãos, mas todas as conclusões sobre a vida, te prendem a minha doce escrita.
Te revelo, nas linhas, com meu brincar de palavras.
Te transformo no que eu bem entender.
Escrevo porque sou o que desejar ser e teu desejo também me transforma.
Dona do teu ódio.
Dona da minha escrita.
Escritora.
Minha dona.
Em tua forma, tua mão, papel.
Minha vida.
choque.
depois de digerir o que ouvi, sentada em um café, escrevi este texto.
e tenho a consciência de que ninguém gosta de ser alvo de analises.
e que incomodo muito com isso.
e desperto a curiosidade.
imagino.
segunda-feira, 28 de setembro de 2009
terça-feira, 22 de setembro de 2009
da série "meus amores mal resolvidos"
só consegui pegar um café e o cinzeiro, ir na mesa da parte mais alta e fumar um cigarro, pensando em desistir.
consegui perder tudo aquilo que poderia te trazer até mim.
aqui pensando, vejo que planejei tudo sozinha e é preciso fôlego dos dois lados, pra manter algo tão louco e visivelmente impossivel.
aqui pensando, me sinto uma idiota que te afastou, mas não quero mudar isso.
quarta-feira, 16 de setembro de 2009
a felicidade mora ao lado.
li isso hoje, em algum lugar...
e descobri que o apto do lado do meu está pra alugar.
o.O
PRECISO DESCOBRIR EM QUAL IMOBILIARIA BUSCAR ISSO!
msn351699745664
Carol diz (16:36):
*oi Teh
Six diz (16:36):
*me fala uma frase
*qualquer uma
*pra eu pensar durante o dia
Carol diz (16:36):
*ai
*to pensando
Six diz (16:37):
*também penso em "ais"
*:P
*deve ser pq dói.
...
Carol diz (16:40):
*as pessoas mais difíces de ser amadas são as que mais precisam
Six diz (16:40):
*obrigada.
é isso.
uow.
tentei seguir uma dica e fazer um anuncio sobre mim, mas ninguém comentou um defeito.
não foi dessa vez.
aquecimento.
sexta-feira, 11 de setembro de 2009
não quero, desculpa.
se tu usar uma venda, pode me beijar.
quando eu enlouquecer, saiba que existia muito mais.
mesmo que acabe as coisas em mim, estarei perto pra te ver sorrir.
os teus olhos nunca dizem a verdade.
e hoje é um daqueles dias onde a gente vomita as palavras.
onde o espaço para as reclamações está aberto e alguém diz "amei um buraco negro".
e quando é que se sabe o que deveria amar?
e se eu gostar mesmo dessa escuridão?
se eu estiver longe, não quero te ouvir gritar.
cabe muito mais no que tivemos.
meus malditos amores e eu mesma.
e se tu parar pra pensar.
nada te atinge mais.
e eu gosto, mesmo, desta maneira.
superficial.
e se surgirem músicas do meu celular, não estranhe.
é consequência de estar triste que encontro pra me aquietar.
te vejo de um lado da corda, em um cabo de força.
e não encontro as mãos pra te puxar.
até mim.
pra mim.
tento mesmo te puxar.
mesmo que as escolhas tenham sido tomadas.
enfim.
estarei encostada naquele canto.
tu pode ficar em silêncio, do meu lado.
tu sempre pode ficar.
pode seguir, se esconder, optar em ser sempre a mesma.
ou pode deitar.
e te olhar dormindo é encontrar respostas.
no fundo, eu só escrevo pra te tocar.
ótimo motivo pra continuar distante.
único motivo pra continuar.
[desta cor.]
.
sem pensar.
sentimentos, sentir, remoer, agir, fazer, ter, perder...
viver.
gasta demais.
e eu sou consumista.
vivo a intensidade.
quinta-feira, 10 de setembro de 2009
desabrigo.
existia uma planta onde poderiamos viver em um andar principal e nos dias de mau humor, descer as escadas e se esconder no porão, ou sentir a calma, no andar de cima, observando a lua.
e tinham cadeiras, redes, quartos e salas.
cada parede era de uma cor.
banheiros, espelhos, espalhados.
e os móveis se misturavam em clean e retrô.
no quarto principal existia a felicidade que não se transmitia na planta, nem pintando tudo de colorido.
nem que se escrevesse seguida de flechas "quarto felicidade".
existiam janelas, de onde jamais pulariamos.
onde o sol nascia dentro de casa.
e as cortinas tinham cheiro de paz.
como se pudessemos ficar horas abraçadas a elas.
existia um canto, onde eu poderia encostar e ficar fumando, enquanto tu ia lendo.
e na sala grande, tu poderia trabalhar na mesa, enquanto eu folhearia um livro ou revista qualquer.
poderiamos jogar uma poltrona, almofadas, muitas almofadas.
poderiamos rolar no chão da sala, sorrindo.
te faria cócegas.
te falaria sobre tudo, te falaria nada.
existia uma planta, onde eu trabalhei por anos, planejando cada detalhe, cada espaço, por mais milimétrico que fosse.
onde fiz nosso andar principal, canto da tristeza, quarto da felicidade.
organizei todo o espaço, toda uma vida.
e tu chega nesse tempo esquisito, fala umas palavras perdidas, acaba sumindo.
a planta da casa vira um papel qualquer.
projeto que vou criando e o outro planejando pra ir demolindo.
tá declarado,
não choro mais.
não rio mais.
não como mais.
não compro mais.
não bebo mais.
não sofro mais.
não.
não.
não.
e ainda continuo vivendo.
sim.
sutileza.
a diferença entre ter uma receita e não ter...
é que ambas podem dar certo, dependendo da mão de quem faz.
nunca fui boa cozinheira.
troquei de celular...
deveria ter trocado de agenda.
as vezes cansa ligar sempre para as mesmas pessoas.
:X
o.O
lego.
no começo era engraçado o controle do que montar.
agora já ando sem criatividade.
domingo, 6 de setembro de 2009
nao podemos...
perdemos.
a estribeira de tudo.
e a frase virou riso.
e o ceu e o paraiso.
no inferno baixou.
segunda-feira, 31 de agosto de 2009
domingo, 30 de agosto de 2009
quando?
sábado, 29 de agosto de 2009
23
o que vem com os 23 anos?
ontem eu não tinha perspectiva alguma de um dia feliz e não sei, deu um sopro e tudo mudou.
acordei com tantos Parabéns, com tantas mensagens de carinho.
me perco nesse afeto todo.
é bom, é gostoso de sentir.
me faz rir suave.
sei lá porque a gente sente as coisas diferentes no dia do aniversário, há quem fiquei triste, há quem fiquei feliz, cansado... há um pouco de cada sentimento, no muito de cada um.
Carol me mandou um presente hoje, uma frase do Caio “É difícil aprisionar os que tem asas” e fiquei pensando que o difícil não é aprisionar os que tem asas, mas aprisionar qualquer um.
liberdade.
já disse uma vez "voe longe" e sempre direi.
hoje, acordei um tanto assim... voando longe.
uma inquietude acolhedora.
pensando em blusas listradas.
em vermelho e branco.
em tênis.
em caixas.
acordei tomando café, bagunçando o cabelo, dando bom dia para o dia.
dando oi para o mundo.
e parece um tanto exagerado.
e é um tanto exagerado se fazer assim.
mas o dia amanheceu um tanto meu também, então que meus delírios e exageros sejam perdoados.
é que hoje acordei mais velha de idade e mais nova por dentro.
mais nova de alma.
fiz catarse com o texto anterior e fiquei zerada.
pra sentir paz.
pra sentir o que me for de direito, de hoje em diante.
pra sentir um pesinho nas costas, mas de alguém que dormiu em mim, abraçada.
é só o que desejo.
rs...
adoro quando essas coisas acontecem, tinha muito mais coisas a escrever, mas resolvi que quero cantar bem alto, no meu quarto aconchegante e leve, então paro por aqui com a frase "quem é mais sentimental que eu?"
(:
obrigada a todos os parabéns que recebi, um abraço forte em todo mundo que se faz presente na minha vida.
manhã.
Hoje, eu acordei sonhando e me virei para o lado te procurando.
e ri de mim.
ri do jeito bobo que eu te procurava, pensando "mew Deus, cadê?"
ri das cores que se fixavam aos poucos no embaçado dos olhos.
ri da minha paixão por você.
ri da minha risada desencontrada, na vontade de te encontrar.
eu ri.
e acordei sonhando, pensando em não acordar.
sexta-feira, 28 de agosto de 2009
"muito prazer, meu nome é otário."

não ia voltar, estava criando forças para excluir, mas para algumas coisas da vida, mudo de opinião facilmente.
aniversário amanhã e não sei se por isso ou por algum outro motivo dentro dos pensamentos, resolvi fazer uma geral na vida.
a semana foi longa e dificil.
estive feliz sim, mas guardei as decisões só pra mim.
egoísta, de fato.
deveria até pedir desculpas, mas não vou, elas são culpas que não existem mais.
troquei grandes passos,
na verdade, troquei até caminhos,
pra chegar a um lugar que já estive antes
e já disse alguém um dia "nunca pegue atalhos".
menti, escondi dor, escondi sorriso, escondi amor.
escondi demais.
até de mim.
guardei um bolo de coisas misturadas.
avalanche.
despencou ontém, tudo.
tudo.
tudo.
que eu tinha guardado.
e saí por aí, sendo eu.
desesperadamente eu.
inconsequentemente eu.
apaixonadamente eu.
e nada mais.
e tudo mais.
que eu poderia ser.
um resumo de vida?
mais trabalho, mesmo salário.
obrigações, funções, injustiças.
já nem sei até onde aguento.
até onde preciso.
até onde quero aguentar e precisar.
Nina, me perdoe...
me falta tempo, espaço.
me falta.
recebi uma carta, putz...
que carta.
já li 3 vezes, é muito.
de normal, não me importaria.
mas não estou no meu normal.
me importo sim.
Vanessa, me perdoe também.
não foi recíproco, não consegui.
e fui sincera quando disse todas as coisas que eu disse.
tu sabe!
não queria machucar ninguém.
não queria me machucar.
e foi isso.
fui tentando preservar a alegria de outras pessoas e esquecendo a minha.
e hoje, sei lá, me fechei pra balanço.
gente, eu não quero mais tentar.
não deste jeito, me atropelando.
faz dias que não choro, faz tempo.
um tempo grande.
é amortecimento.
é amor-tecimento.
em mim!!!
fiz tatuagem, vi a Bárbara, bebi, subi de cargo, voltei a falar com a mãe, mudei, apaguei números da agenda, verei a Juliana em breve.
tudo ao mesmo tempo.
coisas demais.
nomes demais.
pessoas demais.
felididade?
de menos.
fui deletando.
sem dó.
sem mágoa.
sem cordialidade.
com amizade.
sempre!
um jeito sútil de dizer "fora da minha vida, nos resolvemos".
enquanto você lê isso, respirarei aliviada.
sem tensão.
sem peso nos ombros.
sem arrependimento.
por enquanto, ao menos.
não tenho mais namorada.
terminei.
não tenho mais paciência.
inutilidade.
multifacetada?
não mais.
chega!
me disse alguém ontém "o caminho desse relacionamento é que fui sendo eu mesma"
confuso não?
verdadeiro.
estou sendo eu mesma.
minha total sinceridade.
não quero essas coisas que eu andava tendo.
é preciso força pra admitir.
é preciso tato pra vetar.
é preciso coragem pra agir.
é preciso.
é isso.
é o que preciso.
e estou tendo.
voltando ao centro.
equilibrando.
sei que provoco choro, raiva, tormento.
sei que provoco ciumes, desprezo, lamentações.
provoco.
sei.
EU sei!
quero tanto respirar.
organizar esse espaço novo, essa vida que começou.
aos 23.
buscar faculdade, cursos, crescimento.
algo entre a vida particular que não se restringe ao coração e as consequências.
agora sei o que estou fazendo.
jogando tudo para o alto sim.
e me jogando para frente.
ter um cachorro, ser vegetariana, não fumar na sala.
ter coisas estampadas na cozinha.
aceitando as diferenças.
me enquadrando.
aceitando as coisas perdidas no caminho.
valorizando as encontradas.
parece dificil.
parece confuso.
parece.
não é tanto.
só uma maneira de dizer até logo.
adeus.
te vejo amanhã.
não te vejo nunca mais.
pouco me importa a recuperação do meu padrasto.
a religiosidade da minha mãe.
a falta de convicção de muitos.
a doença de alguns.
pouco me importa.
só lembro.
e lembro quando nem quero.
e já esqueço.
supero!
pouco me importa o que é pouco.
e não acrescenta em mim.
escolhas.
que optei por fazer hoje, depois de não dormir.
depois de olhar luminosos com a temperatura da noite.
depois de contemplar sombras com reflexo laranjado.
aquecer.
e esfriar o resto.
congelar.
parar as cenas.
parar!
pra respirar, sozinha.
pra caminhar em busca de opções.
de conquistas.
abrir mão do que não vale a pena.
investir no que for de direito.
acreditar.
zerar todo o resto, colocar ponto final.
e me abrir, pra um alguém só.
sendo eu.
sem farsa, sem provocação, sem meio-termo.
um termo só.
uma crise de jogar coisas na parede.
uma crise de me pressionar na parede.
e arrancar de mim, meu lado verdadeiro.
que estava perdido, pra não machucar ninguém.
pra não fazer chorar.
não quero responder mensagens, não quero dar explicações.
não quero ser questionada.
pouco faz diferença se for entendida.
se for aceita.
a minha decisão.
de ser egoísta.
com os outros.
só desta vez.
pra não ser egoísta.
comigo.
só desta vez.
hoje.
amanhã.
depois.
não ser mais.
egoísta comigo.
não ser mais o desdem.
não ser!
e ser o que eu quiser, o que eu preferir, o que eu escolher.
repito: só minha.
sozinha.
só.
acabo de me zerar, para esperar por você, que não vai chegar.
ou vai.
faça o que desejar e julgar coerente fazer.
existe uma caixa no chão do quarto e dentro dela mais que um presente.
dentro dela, eu.
a minha diferença.
quinta-feira, 20 de agosto de 2009
As virgens suicidas.
eu, de virgem, fiz tudo ao contrário.
[fica a dica de um filminho para os dias de chuva]
"é necessário afrontar a memória"
rs...
quarta-feira, 19 de agosto de 2009
domingo, 16 de agosto de 2009
diz.
e caminho pelas ruas, vendo as ações que você não tem.
se eu chorar, manda dizer que tá tudo bem.
se eu gritar, diz pra eles que é raiva.
mas que sou contida.
diz pra eles que é falta de ar ou sei lá.
excesso de vida.
terça-feira, 11 de agosto de 2009
segunda-feira, 10 de agosto de 2009
até a próxima parada.
sabe?
é só essa coisa, sabe? que arde dentro das mãos e evapora em fumaça, quando se abre os dedos, pra deixar fluir e não flui, fica um pedaço, no meio do trajeto, perdido.
é isso e mais nada, não se explica muito bem, não tem uma cor certa, um cheiro, um sabor.
não tem um sentimento pra nomear.
é isso de sentir assim, saber assim, fazer ou tentar fazer.
é aquilo lá que a gente sente quando escuta "é um menino" ou "é uma menina", ou "tô grávida".
aquele negócio subindo pela garganta, direto do frio do estômago e arranhado o céu da boca.
é quando alguém diz "se foi" e não escorre lágrima nenhuma, só vem isso.
quando chega e vê tudo que não se via a tanto tempo, e arrepia, dá uma bambeada na perna.
é isso... é o tal tudo.
aquela coisa mesmo.
sabe qual é?
mais ou menos.
atordoada.
escutando o burburinho noturno,
tilintar de xícaras e conversa de bar.
fumando um dos últimos cigarros,
olhando paredes e carros,
te esperando passar.
uma baforada quente no espaço,
mãos no rosto,
um abraço,
minha mente na cor do mar.
arquitetando em silêncio os meus planos,
nessa planta milimétrica,
de papel e escala incerta,
calculos de dividir e de somar.
domingo, 9 de agosto de 2009
sábado, 8 de agosto de 2009
sexta-feira, 7 de agosto de 2009
eu ri!
fico meio lesada.
levantei pra escovar os dentes e voltei um tanto sonolenta.
tinha um tapete na sala desde sempre?
putz...
por falta de beijo, o chão fez o papel.
ai.
seu rosto é o mapa do mundo.
terei que abolir KT da playlist.
>.<
_|_ pra mim, sem piada.
então...
elogiei dizendo que pintar era um exercício de paciência mesmo.
minutos depois foi que começou a falar sobre o curso.














